11 de Setembro de 2013, dia em que se relembra a tragédia aérea de 2001, e o dia em que embarco num avião rumo ao desconhecido. Maribor, uma pequena cidade num pequeno país, e a única informação que tenho é que só agora vou descobrir o que é um Inverno.

Apesar de ter chegado ainda em finais de Verão, deu para perceber, pelo primeiro dia, que roupas quentes e uns comprimidos de prevenção seriam essenciais durante os próximos seis meses.

Enfim, as expectativas eram muito incertas, não sabia de todo o que esperar desta nova etapa, novo país, novas pessoas. Mas a verdade é que foi tudo muito mais simples do que o que podia ter pensado.

Em poucos dias, sentimos que conhecemos todas as pessoas da cidade. Numa cidade que vive imenso do ambiente académico, por norma as pessoas mostram-se bastante acessíveis e acolhedoras seja no que for para quem vem de fora.

Uma das grandes vantagens da Eslovénia, dada a sua pequena dimensão, é a fácil deslocação tanto dentro do país como para os países vizinhos. Passado pouco mais de um mês e meio, já tive a oportunidade de visitar países como a Croácia, a Sérvia, a Bósnia, a Suíça, e ainda Itália. Todas estas viagens num ótimo ambiente entre estudantes e com muitas histórias para contar.

Nota-se ainda que as pessoas eslovenas, bem como de outros países mais a leste da Europa, nutrem um certo carinho pelos portugueses, e reconhecem-nos facilmente. Ora por cumprimentarmos às pessoas com dois beijos na cara (que para eles é algo bastante incomum, íntimo até), ora por, na casa de alguém, sermos os únicos com os sapatos calçados, ou então pela queda para as danças latinas, assim como os espanhóis, com os quais (segundo eles) partilhamos a mesma língua.

Mas nem tudo é simples em Erasmus: alterações dos planos de estudo, burocracias necessárias ao residir noutro país, contactar os professores e nenhum responder por falta de tempo, dias em que o stress e a ansiedade tornam tudo numa dor de cabeça. Mas, enfim, aprendemos também a manter a calma e a superar-nos a nós próprios.

É difícil descrever o tanto que se vive em tão pouco tempo, mas para já posso dizer que Erasmus é conhecer, aprender, ensinar, rir, chorar, valorizar, perceber, sentir, viver. É o que quem já o fez vos pode eventualmente ter dito, só que melhor, porque são vocês a vivê-lo e a dar significado.

 

Daniel Santos