José Pedro Magalhães, licenciado pela Universidade do Minho (UM) em Engenharia de Sistemas e Informática, criou o Chordify, um software que converte qualquer música nos seus acordes. Em entrevista ao ComUM, o ex-aluno da UM dá a conhecer o seu percurso académico, bem como o desenvolvimento deste projeto informático.

Como funciona o software que desenvolveu?

O Chordify, que desenvolvi juntamente com quatro outros colegas, reconhece os acordes na música automaticamente. Embora tenhamos feito todos os possíveis para tornar o Chordify simples e fácil de usar, a tecnologia por detrás das cenas é relativamente complexa. Primeiro, usamos o sonic annotator para extrair uma análise digital da música, descrevendo o seu ritmo e conteúdo. Depois, um programa em Haskell (HarmTrace) manipula esta análise para calcular os acordes. Este programa usa um modelo de harmonia em música ocidental para melhorar a identificação dos acordes.

Que aplicações práticas tem este software no mercado?

O Chordify é usado essencialmente por pessoas interessadas em música que querem rapidamente saber os acordes numa música. Isto pode ser para acompanharem a música numa guitarra ou piano, ou para escrever uma adaptação coral, por exemplo. Existem diversos sites com bases de dados de acordes para canções populares, mas o nosso serviço funciona para qualquer canção, por mais obscura que seja, e não requer intervenção humana na análise dos acordes.

Como avalia a adesão ao software?

Foi excelente, especialmente porque nunca promovemos o serviço com publicidade online. Na altura do lançamento inicial, a 5 de Janeiro [de 2013], tínhamos 500 visitas por dia. Hoje em dia, temos mais de 50.000, por vezes até 60.000 por dia. E recebemos imensas mensagens de pessoas satisfeitas com o serviço, por vezes até dizendo que o Chordify as fez voltar a tocar guitarra, por exemplo. Isto é algo muito gratificante.

Uma vez que o software está disponível mundialmente, qual o país que mais acede ao Chordify?

Os Estados Unidos da América, geralmente seguido pelo Reino Unido. No entanto, na semana passada foi Portugal o segundo país com mais visitas!

Quais as vantagens de ter participado na criação do Chordify?

O nosso serviço permite dar uma visibilidade muito maior à minha investigação científica, visibilidade esta que estaria, de outra forma, essencialmente limitada à pequena comunidade académica. Também me dá uma ótima experiência profissional em termos de empreendedorismo, [conhecimentos relacionados com] impostos para empresas, formas legais, contratos, clientes, etc., que não obtenho no ambiente académico onde trabalho a maior parte do tempo.

Em que ano tirou a licenciatura em Engenharia de Sistemas e Informática?

Terminei em 2007.

O facto de ter tirado o seu curso na UM, constituiu um fator de diferenciação no mercado?

Sim, certamente. O curso na UM tem uma componente de programação funcional e métodos formais que me tornaram num excelente candidato para um doutoramento nessa mesma área. Note-se que o meu “mercado” é, essencialmente, o da investigação académica.

Qual é a sua opinião sobre este curso da UM, relativamente a outros semelhantes no país?

Acho que está bem estruturado, oferecendo inicialmente uma perspetiva global sobre os diversos paradigmas da programação e permitindo aos alunos mais tarde escolher uma especialização. Também acho muito positivo o facto de ter diversas disciplinas do departamento de matemática (matemática discreta, análise, lógica, etc.).

A formação que recebeu na UM correspondeu as suas expectativas?

Excedeu-as.

Fez alguma formação suplementar depois da licenciatura? Se sim, onde?

Sim, fiz um doutoramento na Universidade de Utrecht, em Holanda.

Nelma Pinto