Baseada na obra Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay, a serie Dexter traz até nós o quotidiano de um analista forense, especialista em padrões de sangue. Dexter Morgan, (Michael C.Hall) poderia parecer uma pessoa perfeitamente normal, não fosse o seu hobbie executar criminosos que escapam às mãos da justiça.

Apostar em histórias de serial killers que se tentam inserir na sociedade não é, de todo, uma ideia nova. Desde Hannibal, até Heroes, a escolha é deveras variada. Contudo, temos que admitir que o ângulo de narrativa adotado pelos produtores, distingue Dexter de tudo o resto já feito nesta área.

 

De facto, os guionistas desenvolveram uma série arrojada e bem conseguida, que despertou no espectador curiosidade e interesse. O caso do Ice Truck killer, na 1º temporada, ou de Trinity, na 4ª, ficaram, realmente, na memória, como alguns dos mistérios mais envolventes e poderosos da história da TV. A intensidade que o drama nos transmitia, impossibilitava que qualquer pessoa lhe ficasse indiferente.

Apesar das excelentes criticas iniciais recebidas por Dexter, os conflitos entre produtores foram-se sucedendo, o que contribuiu para a perda de qualidade dos guiões. As audiências reduziram. Dizia-se que a serie se tinha tornado repetitiva, não registava evolução.

A chegada da 8ª e última temporada trouxe a Dexter uma nova vida. Mesmo aqueles que tinham já abandonado a serie, voltam a assisti-la. Todos queriam saber qual o desfecho que estava destinado às invulgares personagens, que desde 2006 chegavam até nós.

 

A temporada começou por focar-se nos conflitos interiores de Debra (Jennifer Carpenter), que parecia incapaz de se perdoar por assassinar LaGuerta (Lauren Vélez). Vemos a personagem perder-se um pouco e tomar decisões irracionais, que Dexter (Michael C. Hall) tentava encobrir.

O aparecimento da misteriosa Dra.Vogel (Charllote Rampling), psiquiatra especializada em psicopatas), conseguiu amenizar a complicada relação que se tinha criado entre os irmãos Morgan. Inicialmente pouca importância atribuímos a esta personagem que surge para colaborar com uma das investigações da Miami Metro Homicide. No entanto, com o desenrolar da história percebemos que o grande mistério da temporada está, em tudo, relacionado com ela.

 

Existe um assassino à solta que, constantemente, deixa fragmentos de cérebro à porta de Vogel. Quem poderá ser? Porque escolher a doutora? Para tentar dar resposta a estas questões, a psiquiatra faz uso dos seus conhecimentos profissionais que envolvem manipulações psicológicas e emocionais, e acaba por convencer Dexter a ajuda-la na sua investigação.

Apesar de o nível de excelência das primeiras temporadas não ter sido atingido, é notável a qualidade e o dinamismo que Dexter voltou a ganhar na 8ªa temporada. Os produtores souberam, de forma inteligente, proporcionar constantes reviravoltas que permitiram evitar o tédio e a perda de interesse por parte do espectador. O inesperado passou a acontecer em quase todos os episódios, e a dose de suspense não parou de aumentar

Apostou-se também no aparecimento de novas personagens, umas que ficaram mais tempo, outras que acabaram por desaparecer rapidamente, e no reaparecimento de outras. O facto de Hannah McKay (Yvone Strahosvsky) ter voltado foi, sem dúvida, um dos grandes fatores de sucesso.

O aspeto mais negativo da temporada acabou mesmo por ser o episódio final, que nos deixou com um enorme gosto de desilusão na boca. Esperávamos uma qualquer conclusão para a trama. Contudo esta nunca chegou a acontecer. Personagens, como Quinn (Desmond Harrington) ou Batista (David Zayas), ficaram sem rumo definido, histórias foram deixadas em aberto.

 

Apesar das várias falhas que a serie registou ao longo do tempo, tentamos recordar tudo de bom que ela teve. Ficam na memória alguns momentos fortes que nos fizeram ansiar pelo próximo episódio, como a dramática e sangrenta morte de Rita (Julia Benz), na 4ª temporada, ou o quase afogamento de Dexter, na 6ª. Fica também o excelente desempenho das atrizes Jennifer Carpenter (Debra Morgan) que foi crescendo em todos os episódios, tornando-se uma das melhores coisas da serie, e deYvone Strahosvsky (Hanna McKay) que com toda a sua sensualidade e doçura, nos conseguiu fazer apaixonar pela impiedosa vilã que interpretava.

Por ultimo, e como não poderia deixar de ser, temos também que lembrar o excelente trabalho de Michael C. Hall que do início ao fim se manteve à altura do papel que lhe foi atribuído. Colocando-nos constantemente ao lado do seu ‘dark passenger’Hall levou-nos, repetidamente, a colocar diversas questões morais com que a sociedade se debate. Redefinimos o limite do certo e errado, tornamo-nos mais compreensivos em relação às atitudes do outro.

Aqui fica, então, um adeus, e um obrigado a Dexter, por estes últimos oito anos.