Embora os jovens estejam mais sensibilizados para a violência no namoro, apenas 9% das vítimas apresenta queixa às autoridades competentes. Esta é a principal conclusão de um estudo realizado pela investigadora da Universidade do Minho, Sónia Caridade.Dos jovens inquiridos, 25,4% reconheceram terem sido vítimas de pelo menos um acto abusivo este ano, quer este tenha sido psicológico ou físico, e 30,6% admitiu ter sido agressor. Ainda é possível perceber que comportamentos emocionalmente abusivos têm uma maior percentagem de vitimização do que os comportamentos físicos.

Apesar de não conhecer nenhum caso de violência no namoro, Mónica Gonçalves, aluna do 3º ano de Psicologia, considera que este continua a ser um assunto preocupante. Mas, na sua opinião, “o problema está na capacidade de estas [mulheres] conseguirem denunciar que são vítimas”.

Para a Associação de Mulheres contra a Violência (AMCV) “esquecer a primeira agressão é tão difícil como esquecer o primeiro beijo”. É esta a assinatura da campanha, lançada a 21 de agosto pela AMCV, e que visa sensibilizar para a violência contra as mulheres.

Mónica Gonçalves realça a importância desta campanha, “porque de certa forma, acaba por mostrar a algumas mulheres que não são as únicas a viver este problema e acaba por encorajá-las”.

Já para Artur Marquez, aluno de Relações Internacionais, este é um tema “vergonhoso” na nossa sociedade e só revela a “falta de mentalidade de algumas pessoas e a falta de consideração pelo próximo”. O estudante conhece casos de violência no namoro, sobretudo de abuso psicológico. Na sua opinião, a sociedade continua a desvalorizar as campanhas de sensibilização contra este problema.

Mariana Domingues, estudante de Direito, acredita que “ainda há um estigma associado ao assunto”. A aluna alerta para a necessidade de se “apostar na informação, nomeadamente junto dos jovens, porque este ainda é um assunto tabu”. “A única forma de ultrapassar isto é quebrar o tabu, o que requer uma mudança de mentalidades, que não é uma coisa fácil de fazer”, sublinha a jovem.

Andreia Cunha
Rita Baptista