A segunda passagem de Jesualdo Ferreira pelo SC Braga mostrou o quão arriscado pode ser um regresso a uma casa onde já se foi feliz. O presidente, António Salvador, apostou em Jesualdo Ferreira, fazendo regressar o treinador que deu asas ao crescimento dos minhotos a nível interno e externo nos últimos tempos.

Mas, com um dos mais experientes líderes do banco na Primeira Liga, pouco correu bem. Com dois terços do campeonato cumpridos, o SC Braga tem o pior registo dos últimos dez anos. O que terá falhado? A reformulação do plantel não superou algumas saídas? Ou os adversários estarão mais fortes?

Para Dito, antigo defesa do clube nas décadas de 70 e 80 e atual comentador desportivo, houve alguma falta de ambição do treinador nesta segunda passagem pelo clube.“Não me pareceu um Jesualdo empenhado no sentido de que a equipa, mesmo com as dificuldades, pudesse responder positivamente”, refere.

As saídas de jogadores como Quim, Salino, Hugo Viana ou Mossoró representaram um duro revés no plantel, que não mostra os resultados das últimas épocas. Para Dito, o SC Braga “iludiu-se um pouco que aquilo que estava a fazer era suficiente”. O antigo jogador acrescenta que a estrutura “não soube fazer as contratações adequadas para colmatar saídas importantes”. Dito considera, no entanto, que será preciso esperar algum tempo para saber como o clube reagirá à mudança.

O substituto de Jesualdo, Jorge Paixão, não é um treinador com muita experiência, tanto mais que será a primeira oportunidade ao mais alto nível em Portugal. “É porque lhe reconheceram alguma capacidade, embora o trajeto não tenha trabalhos de grande visibilidade”, afirma Dito, que acredita, também pela sua experiência enquanto treinador, que a competência se mede pelo equilíbrio entre qualidade e resultados.

Numa análise final, o comentador crê que Jorge Paixão tem uma grande oportunidade para se mostrar. Contudo, “para além de ganhar, terá de pôr a equipa a jogar um futebol atraente porque os adeptos são exigentes”, salienta Dito. “Vamos ver se tem essa capacidade”, conclui.

Jorge Paixão: aposta surpreendente de Salvador na primeira aventura na Liga

Natural de Almada, o técnico chega pela primeira vez ao principal escalão português aos 48 anos. Depois de uma aventura muito positiva na Segunda Liga ao serviço do Farense, Jorge Paixão foi o escolhido pela direção do SC Braga para o lugar de Jesualdo Ferreira.

A carreira de treinador começou em 2001, no Almada. Depois, passou pelo Casa Pia, Real SC, Atlético CP, Pontassolense, Estrela da Amadora e Mafra. Pelo meio, duas experiências no estrangeiro: nos angolanos do Recreativo de Cáala, em 2009, e no Al-Mesaimeer do Qatar, em 2011.

Desde que chegou ao Farense, foi sempre a subir: na classificação, no mapa e no escalão. E o desafio do presente é grande – no primeiro ano ao mais alto nível no futebol português, precisa recolocar o SC Braga numa posição que não destoe do que foi alcançado na última década. Jorge terá mesmo de dar paixão e bom futebol à equipa.