A época de 2013/2014 ainda não acabou mas ficará marcada para as equipas minhotas no principal escalão do futebol português. E não pelas melhores razões.

À data do primeiro e último editorial que assinei, o Gil Vicente era a equipa minhota melhor classificada, seguindo-se-lhe o Vitória SC e depois o SC Braga. Hoje, o cenário inverte-se. E muita coisa mudou.

Pelo meio, os bracarenses trocaram de treinador – Jorge Paixão rendeu Jesualdo Ferreira. Mas o ex-técnico do Farense só venceu dois dos oito jogos do campeonato. E pior do que isso, viu o Rio Ave levar a melhor nas meias-finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Tal impediu o Braga de discutir dois troféus, de revalidar o último e de chegar à Europa, pois o sétimo lugar no campeonato já nada permite. Para nublar o cenário, é a primeira vez, desde 2004/2005, que o emblema minhoto fica de fora das competições internacionais.

Na Cidade Berço, o Vitória SC atravessa a série mais negra de resultados dos últimos 14 anos – nos últimos nove jogos, apenas dois empates. Pior cenário só em 2000 – foram dez os jogos sem vencer. Se mantiver o 10.º lugar, a formação de Rui Vitória, que conquistou a Taça de Portugal na época passada, arrisca-se mesmo à pior classificação desde 2005/2006 (ano em que desceu à II Liga).

Em Barcelos, o Gil Vicente ‘cantou de galo’ nas primeiras jornadas. Mas tudo mudou rapidamente. Os comandados de João de Deus estiveram 16 jogos oficiais sem ganhar e foram eliminados das duas taças. Depois de um início europeu, a equipa ‘desceu’ à terra e voltou àquele que seria, à partida, o seu campeonato – o da manutenção. E ainda é preciso um ponto nos dois jogos que faltam para a garantir e não obrigar à matemática do costume.

De resto, é preciso recuar à época de 2001/2002 para não ver equipas minhotas nos cinco primeiros classificados. A próxima época será também a primeira das últimas 11 em que o Minho não terá representantes nas competições europeias. Para terminar, este ano é o primeiro desde 2010 sem emblemas minhotos nas finais das taças internas. As estatísticas falam por si.

O SC Braga e o Vitória não conseguiram revalidar os títulos da época passada e assumem lacunas evidentes – desde o planeamento da época até construção dos plantéis, onde muitas vezes faltaram opções mais fortes e válidas. Erros de ‘casting’? Falta de liderança? A verdade é que, desde que chegou a Guimarães, Rui Vitória fez muito com pouco. Mas os últimos resultados põem em causa a sua continuidade. E em Braga, é preciso pensar (e muito) para não repetir os erros desta época.

No meio de tudo, um ponto positivo. Caso o Gil Vicente assegure a (quase certa) manutenção, 2014/2015 terá mais representantes do Minho na Primeira Liga. Depois da despromoção na época passada, o Moreirense, numa época sublime, já garantiu a subida ao principal escalão do futebol português. E tem ainda duas jornadas para confirmar o título de campeão.