André Ferreira está no quarto ano de Engenharia Mecânica. Aos 21 anos, decidiu partir para Erasmus. A cidade italiana de Pisa foi o destino escolhido, onde está neste momento. Ao ComUM, o estudante da Universidade do Minho faz, em exclusivo, o relato da sua experiência.

Dove la torre pendente?’ – ‘Quem sai da estação, sobe a ‘corso Itália’, passa o Fiume Arno, segue pela ‘via sta maria’ e encontra aquele edifício torto. ‘É lá!’ É o que e ouve todos os dias por esta terra.

Quando se pensa em Erasmus, Pisa é, provavelmente, um dos destinos menos populares. Foi um destino escolhido sem ponderar, decidido à última da hora. De qualquer das formas, sabia, à partida, que iria ser um desafio, pelo prestígio que a Universidade de Pisa tem na área da engenharia.

Disposto a tudo, lá vim eu. Lembro-me de aterrar no aeroporto Galileu Galilei, sentir o clima húmido característico do mediterrâneo, e pensar: ‘‘Isto tem tudo para ser um Erasmus em grande, bora lá para a aventura!’’

Pisa, como maior parte das cidades italianas, tem um aspeto velho e clássico, que nos impõe mistério e nos encanta! Apesar de ter a torre de Pisa, que todos os dias atrai um caudal gigantesco de turistas e contribui imenso para a economia desta cidade, rapidamente se descobre que esta cidade é muito mais que isso.

Quem por cá passa tempo suficiente para dar umas ‘voltinhas’ pela cidade, descobre a beleza, física e não física, das piazze (praças), giardini (jardins) e vie (ruas). Foi o que me aconteceu. Rapidamente me apercebi da imensa vida que esta cidade tem.

Eventos culturais, musicais, desportivos e sociais como nunca outrora presenciei. É um fascínio ver as praças cheias de pessoas a conviver alegremente, enquanto grupos de jovens se juntam a fazer soar diversos instrumentos como se só para aquilo vivessem.

Pisa é, em dúvida, a cidade mais alegre que já vi. Será por terem uma economia estável? Por terem melhores condições de vida que nós? Non lo so… Só sei que me choca ver pedintes na rua com melhor aspeto que um estudante universitário português! (Óbvio que isto não acontece em toda a Itália).

Mas passemos à parte que interessa: A Vida Académica!

Não escolham Pisa se quiserem conciliar viagens, festas e estudos. No que me toca, Engenharia Mecânica, posso afirmar que o ensino cá é muito mais exigente que o da UM. Os alunos são muito aplicados e os professores esforçam-se para que mesmo quem se aplique tenha a tarefa demasiadamente difícil. Digo que, nas minhas aulas de três horas, eram passadas só com o som da voz do professor, NINGUÉM falava! (A propósito, eram permitidos gravadores de voz durante a aula, maior parte usava).

À parte disso, a vida nocturna não é o forte de Pisa (e ainda bem!). Tem muitos pub’s, que dão prazer estar no final do dia, e só passam ‘rockalhadas’, o que faz o meu género! Melhor não podia haver! Param além disso, a melhor maneira para aproveitar noites, é mesmo ir para as praças tocar, cantar e falar. Por instantes, na Pizza dei Cavalieri, a minha preferida!

Na secção das viagens, ainda não saí da região da Toscana, mas já a visitei quase toda. A Toscana é das coisas mais lindas que já vi! Aconselho, a quem gostaria de conhecer esta região: Firenze, Lucca, Viareggio, S. Gumigniano (património mundial) e Siena.

Por último, e fazendo um balanço da parte inicial desta jornada, Pisa é um sitio difícil para se estudar, aconselho a quem gosta de desafios. Se querem uma cidade com muita festa, esta não é para isso. E, no final de contas, só pela beleza e magia desta cidade, compensa todo o esforço académico. Não a trocava por mais nenhuma. Esta cidade encanta-me!