Conseguimos traçar o nosso futuro num par de horas? Conseguimos colocar todos os prós e contras de uma decisão que irá trazer consequências tão definitivas?

Três dias e meio. Foi o tempo dado aos licenciados em medicina para escolherem a sua especialidade. Ou seja, os seus próximos cinco ou seis anos de estudo.

O Ministério da Saúde deu aos futuros médicos, na semana passada, 84 horas para escolher a especialidade. As listas das vagas para centros de saúde e hospitais foram dadas na terça, para os jovens enviarem as candidaturas até sexta. Muitos dos licenciados tiveram apenas ‘dois minutos’ para tomar uma decisão.

No final do dia de terça, o Ministério da Saúde alargou a entrega das candidaturas até ontem. Contudo, mais de 200 estudantes já tinham enviado a sua opção. Esta limitação de tempo mostra quão importante é o futuro dos jovens para o Governo. Não interessa o tempo que temos. Apenas temos de decidir. E decidir com base na teoria. Porque a maioria dos recém-licenciados pode nem gostar da especialidade que escolheu.

Isto acontece desde a transição do 9º para o 10º ano. Com 14 anos, as crianças tem de escolher se querem um futuro ligado às ciências ou às letras, à economia ou às artes. A maioria dos adolescentes não sabe que profissão vai escolher. Então, como se vai definir a área de estudos? O nosso futuro é decidido tão cedo. E hoje os jovens não se apercebem disso.

Mesmo quando a decisão da licenciatura é tomada, muitos jovens acabam por desistir e escolher outro curso. Definir a rota do nosso futuro não deve ser de forma abrupta. Para o Governo, isto parece justificável, pois não importa a área que escolhemos. O futuro parece sempre o mesmo. Desemprego.