O velhinho e enferrujado Adelino Ribeiro Novo, em Barcelos, já foi outrora um palco emblemático do futebol português. Agora – e há uns bons anos – é a “casa” da formação do Gil Vicente. Este ano vê-se algo invulgar por estas bandas e que muito tem orgulhado o clube gilista: a equipa de juniores luta pelo título do Campeonato Nacional da categoria. A batalha é muito difícil. O coletivo minhoto segue no encalço do FC Porto e tem menos quatro pontos. Ainda assim, os jogadores e o treinador não deixam de acreditar.

Enquanto a equipa principal tropeça sobre si própria, há uma nova fornada de jogadores que tiram o pó ao Estádio Adelino Ribeiro Novo. A juventude respira histórias antigas de um palco que já foi principal. Foi neste campo que, por exemplo, o Benfica foi vergado, por 3-0, diante da equipa principal do Gil Vicente, em 2001. No meio de vigas enferrujadas, que tantos gritos de alegria e desespero já ouviram e de placas metálicas que rangem e abanam ao sabor do vento, a equipa dos sub-19 dos barcelenses faz a esperança renascer no seio dos gilistas.

Estádio Adelino Ribeiro Novo

Em onze jornadas, os jovens minhotos venceram seis vezes, empataram três e foram derrotados em apenas dois encontros. Ocupam o segundo lugar do campeonato, bem perto do primeiro – o FC Porto. O sonho ainda se mantém. Todos, naquela equipa, acreditam, incluindo Nandinho, treinador dos juniores e uma figura muito acarinhada no clube. Para o técnico, o balanço da época é extremamente positivo e o crédito vai, quase na totalidade, para os jogadores que tem à disposição.

O artilheiro da equipa é o hondurenho Jonathan Rubio. Chegou a Portugal em janeiro, mas já fala um português bastante entendível. Apresenta-se com um sorriso rasgado e faz claramente transparecer que esta aventura pessoal não lhe poderia estar a correr melhor. “Está a ser uma experiência muito boa. A equipa tem um grande espírito de grupo e os bons resultados têm aparecido”, afirma o avançado.

Apesar de ser o melhor marcador do campeonato, com onze golos, Jonathan diz que o bom momento do Gil Vicente se deve ao coletivo e não quer ser alvo de qualquer tipo de destaque. Para ele, o segredo dos bons resultados está na organização do clube e no esforço de todos. Quanto ao título, mostra-se confiante.

O capitão, Júlio Neiva, defende as redes gilistas e já faz parte dos escalões de formação do Gil Vicente há alguns anos. Sente-se me casa. Em janeiro deste ano foi convocado para representar a Seleção Nacional de Sub-19 e jogou pela equipa das quinas no Torneio Internacional de La Manga. O jovem guarda-redes sonha ser profissional e diz que esse é um objetivo partilhado por todos nesta equipa.

No mesmo sentido, Nandinho está confiante que muitos destes jogadores têm potencial para concretizar aquilo que mais ambicionam: a profissionalização no mundo do futebol. Ainda assim, o técnico alerta que ainda há muito a fazer e que o caminho nem sempre é fácil. “A transição de juniores para o seniores é difícil. Mas a qualidade está lá. A capacidade está lá. Agora é preciso que eles tenham a oportunidade de continuar a evoluir”, afirma.

A equipa principal do Gil Vicente não vive bons momentos. No Estádio Cidade de Barcelos, só venceu dois jogos dos 15 que já realizou, em casa, para a Primeira Liga. A manutenção é cada vez mais uma miragem. Em todo caso, o mérito destes jovens jogadores leva a crer que nem tudo está perdido. Há quem acredite que existe valor no coletivo de juniores para ser aproveitado na equipa principal do Gil Vicente.

“Temos bons jogadores, estamos a fazer uma temporada muito boa. Penso que alguns de nós podem ajudar a equipa principal a breve prazo”, confessa o jovem guarda-redes Júlio Neiva. O treinador gilista, Nandinho, corrobora esta teoria, afirmando que a formação deve ser uma aposta cada vez mais forte dos clubes: “Esta é uma boa equipa e a equipa principal pode tirar dividendos disso mesmo”.

Nas palavras, estes jogadores mostram vontade de vencer. Nos treinos, vontade de aprender. Nos jogos, demonstram determinação rumo a um objectivo: vencer o campeonato. No fundo, entram em campo apenas com uma certeza: o futuro pertence-lhes. O futuro das suas carreiras e o futuro no clube. E pelo futuro eles dão tudo. Irão, estes galos, intervir e salvar o clube por Barcelos amado?

Reportagem: João Quesado | Telmo Crisóstomo
Imagem: Norberto Valente

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