Tendencialmente, a cultura parece um mundo muito abstrato. Quantos portugueses sabem verdadeiramente o que representa a palavra ‘Cultura’?

Na verdade, podemos falar de cultura enquanto conjunto de traços padronizadores de uma dada povoação, país, sociedade. Mas também podemos falar de cultura enquanto conjunto de manifestações artísticas que definem e constituem uma dada povoação, país, sociedade. Acima de tudo, a cultura, conceito que nos propomos a analisar, mostra a verdadeira essência do que representa uma povoação, país, sociedade.

No entanto, este assunto parece não ter interessado ao Governo da atual legislatura. Neste momento, devido à sua extinção, não existe Ministério da Cultura, sendo que esta fatia representa menos de 1% do PIB.

Interessa perceber que ao longo do tempo a cultura tem vindo a ser cada vez menos relevante no curso da História. Provavelmente, isso deve-se ao facto de o povo português não ter desenvolvido uma visão artístico-cultural que nos levasse a pensar mais além. Há dúvidas de que a Cultura mexe com as massas e faz mudar conjunturas? Será que as canções ‘Depois do Adeus’, do proclamador Paulo de Carvalho, ou ‘Grândola Vila Morena’, do mítico Zeca Afonso, não transformaram realidades? Metaforicamente, deram-nos a liberdade.

Aliás, o próprio jornalismo de cultura é Cultura. Pelo menos, por propagar a expressão de uma Nação. Se apenas uma pequena parte da população compra jornais ligados a esta temática tão vasta e tão complexa, talvez seja por assim o ser. Mas, devem ser pequenas manifestações que devem fazer a grande diferença. Aos poucos e poucos, estes alertas têm que se patentear de forma convicta, mostrando que uma realidade onde a capacidade de abertura, aceitação, respeito, de visão para o futuro tem o seu espaço.

Os media detêm uma força especial e potente, capaz de transformar mentes, revolucionar ideais e chegar mais longe. Falta que essa educação aconteça, lentamente, dando a agilidade suficiente para que os leitores, ouvintes, telespetadores, cibernautas consigam adquirir essa perspetiva expansionista para algo que lhes pertence. O nosso legado mais profundo é a Cultura. A verdadeira manifestação do “eu” baseia-se na Cultura.

Esta secção do jornal ComUM, agora com novos editores e escritores, mas com os mesmos princípios, tentará levar a Cultura mais longe e fazer refletir sobre os diferentes ramos que este grande e sólido tronco nos proporciona. Temos em mãos um jogo difícil de jogar, onde a concentração revela-se não só uma tarefa árdua, como um trabalho meticuloso, pois o amanhã faz-se a partir do hoje.

Maria João Costa e Pedro Ribeiro – Editores de Cultura