As portas azuis, ao fundo da Sé de Braga, convidam a entrar. É a “casa da avó” onde se bebe uns copos e onde a arte se estima.

Quem por lá passa, logo repara no nome. Era para ser Sé Ninguém, mas ficou Sé La Vie. É a vida… Xana e Palas abriram o bar-café em março deste ano. Um bar onde a música está em “primeiríssimo lugar”, diz Filipe Palas, e onde a expressão “é a vida…” serve como resposta para tudo.

A música gravada dá o ar da sua graça a partir das 15h00. Os concertos, às sextas-feiras e aos sábados, enchem a pista do número 37, na Rua Dom Paio Mendes. Velhos e novos lá entram para ver e ouvir quem toca.

Quem vem e entra

Mas o que é que as pessoas procuram no Sé La Vie? “Vodka”, diz Palas em tom de brincadeira. Gente de todo o mundo lá aparece. Os clientes são como as cervejas: internacionais. Ter como vizinha a Sé ajuda. Os turistas olham curiosos para ver que vida afinal se oferece ali. E são poucos os que resistem a entrar.

Foram muitos os espaços que Xana e Palas visitaram. Até que chegaram ao Sé La Vie. Foi surgindo aos poucos, como acontece à vida, e por lá continua. As noites bracarenses agradecem a este palco “aberto a qualquer tipo de arte”, como o define Xana Haulsen, onde a arte low-cost é motivo para sentar.

Quem é que toca aqui?

“Todos menos os parolos”, responde Palas. Há coisas que “nem de graça se oferecem”. As portas azuis abriram pela primeira vez com um concerto dos Smix Smox Smux, banda de Filipe Palas, e desde aí não pararam. Do fado ao hip-hop, o Sé La Vie alberga qualquer género de música. O metal tem as suas noites. O rock-alternativo é o mais procurado.

Os concertos, de dois a quatro euros, trazem ao palco de madeira bandas de todo o mundo, artistas que procuram um espaço para mostrarem o que valem. E essa oportunidade está neste vizinho da Sé, ao virar da esquina. Mas não só. Por lá já passaram Adolfo Luxúria Canibal, Plus Ultra, Toulouse e Ermo.

Mas desengane-se quem pensa que o Sé La Vie é só feito de música. Peças de teatro, exposições, encontros de couchsurfing e lançamentos de livros também preenchem a programação mensal do bar-café.

Uma casa para todos

Xana e Palas definem o seu bar-café como um “mini Theatro Circo”. Gabam-se de se poderem “dar ao luxo das pessoas entrarem e não pagarem cinco ou 10 euros para ver qualquer coisa”, acrescenta Filipe Palas.

Ao estilo vintage, este bar-café é a “casa da avó” onde qualquer pessoa se sente bem. Dos hipsters aos hip-hoppers, todos têm o seu lugar, pois Sé La Vie só seria Sé La Vie se fosse para todos.

As portas azuis só fecham quando se acaba a última Paulaner. Ali só se para aos Domingos. É a vida…

Fotografias: Carolina Gomes