A peça de teatro “Carta de uma Desconhecida”, uma história dramática de amor de Stefan Zweig, foi, na sexta-feira passada, levada à cena no Theatro Circo.

Na Sala Principal do espaço de espetáculos bracarense, pelas 21h30, teve início a adaptação do romance do escritor e dramaturgo austríaco Stefan Zweig. Com adaptação e dramaturgia de Patrícia André e Sandra Barata Belo, a carta de amor de uma mulher para o único homem que amou é narrada ao som do piano.

O pianista, Luís Figueiredo, interpretou o criado que narrou a carta da desconhecida. A desconhecida é representada por Sandra Barata Belo, que escreve a carta, onde conta a história do seu amor platónico por um homem mais velho, o seu vizinho em Viena. A carta é dirigida a este homem que nunca soube como moldou o destino daquela mulher, para ele uma estranha. O homem é interpretado por Guilherme Barroso, que se estreou neste papel.

Durante 90 minutos a atriz dá, ininterruptamente, vida à paixão de uma menina de 13 anos que se vai desenvolvendo e se transforma numa obsessão. Como resultado desta fixação, isola-se e passa a viver completamente condicionada àquele amor. A desconhecida acaba por se aproximar do homem, mais do que uma vez, mas este nunca a reconhece. Ao fim de anos, este amor sofrido e não correspondido finda com o suicídio.

A acompanhar o melodrama há uma componente cénica que integra desenho de luz e video mapping. Esta é combinada com a música do piano e a interpretação dos atores, que envolve uma forte expressão corporal e a passagem por várias emoções e estados de espírito.

Margarida Ferreira, espetadora, confessa que gostou da peça e destaca o papel de Sandra Barata Belo: “acima de tudo gostei de ver a atriz, pois representa muito bem a peça inteira”. Já Alexandre Moura realça o dramatismo da história e a sua combinação com o som do piano: “achei que resultava bem”.

A obra “Carta de uma Desconhecida” é indissociável da vida do autor Stefan Zweig, que, em 1942, também escreveu uma carta de despedida e se suicidou juntamente com a mulher, face ao crescimento do nazismo.

A peça teve a sua estreia em Ílhavo, no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, passou por Luanda e Lisboa e segue agora para Alcobaça.