Duas partes, duas caras. O SC Braga foi a Alvalade na esperança de surpreender o líder, Sporting CP, e quase conseguiu concretizar a “missão não impossível” de Paulo Fonseca. Mas, depois de uma excelente primeira parte, os bracarenses acabaram derrotados por 3-2, na última jornada da primeira volta da Liga NOS.

Num jogo de nível elevado, Jorge Jesus optou por repetir o onze, que a meio da semana goleou o Vitória de Setúbal, enquanto Paulo Fonseca operou cinco mudanças, com destaque para a titularidade de Rui Fonte e Wilson Eduardo na frente de ataque.

Os bracarenses entraram destemidos e quase marcaram no primeiro minuto de jogo. Djavan, de regresso à lateral esquerda, cruza e a bola, depois de cortada por Paulo Oliveira, segue para Wilson Eduardo, que remata junto ao poste de Rui Patrício.

Sem grande surpresa, ambos os conjuntos entraram pressionantes e com vontade de criar problemas ao adversário. Mas, também sem surpresa, foi o Sporting a assumir o jogo com mais frequência.

João Mário foi o primeiro a avisar Kritsyuk, depois de combinar com Adrien, valendo ao Braga, a defesa do guardião russo. Os leões continuavam perigosos, seja de livre, com Bruno César a assustar, seja pelo homem do costume, Islam Slimani, que à passagem da meia hora de jogo podia ter inaugurado o marcador, mas optou pelo chapéu, que Kritsyuk defendeu facilmente.

A melhor oportunidade da primeira parte surgiu de bola parada. Bola teleguiada de João Mário para a cabeça de Paulo Oliveira, com o cabeceamento do português a embater no poste e em Kritsyuk, sem entrar na baliza bracarense.

Se o conjunto de Jorge Jesus desperdiçava, os minhotos faziam da eficácia um adjetivo próprio. Numa jogada de insistência, Baiano colocou a bola em Wilson Eduardo, que rematou para o primeiro golo da partida e o primeiro golo do avançado no campeonato, aos 40 minutos.

Já era tarde para a reação do Sporting e todos esperavam pela segunda parte. Todos menos Rafa. O “pequeno génio” da Pedreira recebeu a bola de Baiano, passou facilmente por Paulo Oliveira e, frente a Rui Patrício, fez o 2-0, em cima do intervalo.

O técnico dos leões afirmou que o Sporting tinha “aprendido alguma coisa” com os quatro golos sofridos em Braga, no jogo a contar para a Taça de Portugal, mas a desvantagem ao intervalo tornava a tarefa da turma leonina hercúlea.

O regresso dos balneários trazia um conjunto verde e branco mais agressivo e sem William, que ficou no banco para entrar Gelson Martins. Não demorou muito a reação leonina à desvantagem. Três minutos depois do reatar da partida, Bryan Ruiz fica na cara do guarda-redes bracarense, mas o russo volta a ganhar o duelo frente aos leões.

Depois de muita insistência do conjunto de Jorge Jesus, o golo chega aos 57 minutos. O “suplente” Gelson cruza a bola na direita, mas André Pinto corta a bola com o braço, com Jorge Sousa a assinalar penálti. Na conversão, Adrien não vacila e coloca o Sporting a perder apenas por um golo.

O Braga só reagia em contra-ataque e os homens da casa continuavam a tentar derrotar a muralha defensiva dos minhotos. Aos 70 minutos, Gelson coloca a bola em Ruiz, depois de um excelente trabalho individual, e o costa-riquenho devolve ao jovem extremo que remata para uma boa defesa de Kritsyuk, com Slimani a chegar tarde à emenda.

Jorge Jesus parecia continuar a acertar nas substituições quando, aos 77 minutos viu Montero fazer o empate. Jefferson armou o remate que saiu fraco e acabou nos pés do avançado colombiano, que sem ninguém pela frente só teve de rematar.

Os lisboetas carregavam em busca da vitória, mas era no Norte que estava a força para aguentar a avalanche leonina. Se Kritsyuk era posto à prova, era Rui Patrício que não deixava o resultado fugir. Aos 85 minutos, Rafa ganha em velocidade e fica frente-a-frente com o guarda-redes, que desvia o remate do extremo bracarense, impedindo o terceiro dos minhotos.

E o velho ditado volta a fazer sentido: quem não marca, sofre. Os minhotos não conseguiram finalizar e do lado contrário há um avançado que não pode ficar sem marcar. Ruiz cruza, Slimani cabeceia e Alvalade explode.

O apito final de Jorge Sousa põe fim a mais um jogo de loucos entre SC Braga e Sporting CP, desta vez com o sorriso final na cara de Jorge Jesus. Depois uma primeira parte fantástica dos homens de Braga, uma segunda parte sem força e diante de leões muito combativos deitaram por terra a “missão não impossível” de Paulo Fonseca.