Um pouco já fora da hora marcada, 22h30, a noite de ontem começou com os espanhóis Aspencat, que aqueceram o ambiente da pequena sala do Convento do Carmo. Cerca de uma centena de pessoas encheram o local, número impressionante para uma quinta-feira. O público esperava ansiosamente a atuação dos Bed Legs, que se preparavam para apresentar as músicas do novo álbum, Black Bottle, lançado recentemente.

Os ânimos estavam em alta numa noite que prometia muita animação e energia, ou não fossem essas duas das características que melhor descrevem a banda bracarense. Os holofotes de vários tons acompanhavam um set que percorria o novo álbum a fundo, fazendo-se ecoar Vicious, Wrong Man e New World . O palco, revestido por tapetes, era demasiado pequeno para a euforia que a banda transmitia, mas nem isso impediu Fernando Fernandes, vocalista, de saltar ao longo do palco, atirar-se para o chão e sobrevoar o público. Atitude já tão característica do artista. Pelo meio do concerto de ontem, existiram várias tentativas de crowdsurfing e uma frequente troca de palavras entre a banda e a plateia. Quando o final do concerto parecia estar a chegar, o público pediu calorosamente “só mais duas”, pedido ao qual os Bed Legs responderam, tocando mais um par de músicas do EP Not Bad, lançado em 2014. Nem mesmo uma falha técnica no último tema impediu a festa de continuar.

Num ambiente agradável, repleto de pessoas de diferentes idades que cantavam e dançavam, Black Bottle foi rei. “Nem a própria banda estava à espera” de uma casa com tanta gente e da receção calorosa que o público lhes forneceu, disse João Costeira que esteve no concerto de início ao fim. As opiniões dos espectadores foram unânimes. Para Sara Lima, foi um concerto “tão ou mais vibrante que os anteriores e mesmo num espaço tão pequeno conseguiram fazer uma performance completamente fantástica”. Numa plateia repleta de fãs, encontravam-se novos admiradores que confessaram que atuação dos músicos de Braga “superou as expectativas”, continuou João Costeira.

Hélder Azevedo, baixista dos Bed Legs, revelou que as reações ao álbum estão a ser “muito positivas” e que este concerto foi “um bocado duro e exigente”, porque os elementos da banda estavam “enferrujados”. O baixista acrescenta que “foi um bom concerto, com muita gente que veio de propósito para ver, apesar de ser quinta-feira”.

A festa continuou com o DJ Set dos The Bitch Boys que animou quem decidiu continuar pelo Convento do Carmo já depois das 02h00.

Texto: Ana Maria Dinis

Mariana Prata