Trabalho, treinos, família, amigos, jogos… Soa muito a uma rotina de um jovem adulto, mas não. Este caso é diferente: trata-se de uma lenda que, em 2015, rumou à cidade de Barcelos de stick na mão. Falamos do reforço mais sonante do OC Barcelos para a presente época, uma contratação que conta já com 31 títulos no seu palmarés. Falamos de Reinaldo Ventura.

Atualmente o melhor marcador do campeonato português, o hoquista de 37 anos deixou, no fim da temporada passada, o FC Porto. No clube da invicta, formou-se e jogou de dragão ao peito durante 26 épocas, onde foi decacampeão nacional, cresceu como atleta, mas também como pessoa, algo que lhe é reconhecido por todos os que com ele convivem.

Reinaldo rumou à cidade do galo, onde garante que a experiência está a correr “acima das expectativas”. O hoquista depois de uma carreira de azul e branco garante que “não tinha nada a provar a ninguém”, chegando a Barcelos renovado. O bom momento de forma da equipa barcelense só o pode alegrar e deixar satisfeito, assim como aos seus novos companheiros dentro do ringue.

 

Sobre o campeonato nacional, “Rei”, como é conhecido, é especialista no assunto, tendo conquistado a competição por 13 vezes. O camisola 66 partilha da opinião de que os dez campeonatos seguidos ao serviço do FC Porto “foi algo anormal” e que “dificilmente se voltará a repetir”, pois o campeonato está, segundo o próprio, a chegar ao topo do hóquei mundial e poderá, brevemente, ser mesmo o melhor do mundo.

 

Com muitos anos em cima de quatro rodas, Reinaldo continua a privar-se de muitas coisas para fazer aquilo que realmente gosta. O hoquista assegura ter muito cuidado “com a alimentação, com o descanso, com a recuperação”, e finaliza a dizer que se esse cuidado for levado a sério “é possível jogar até uma idade acima da média”.

Reinaldo Ventura não pensa em pendurar os patins, mantendo-se com a cabeça na quadra. No entanto, garante que só no fim da carreira é que vai pensar no assunto, apesar de confidenciar que gostaria de ser treinador, estando a tirar o curso para tal.

Hélder Nunes é quem Reinaldo considera o “futuro melhor jogador do mundo”. O seu amigo e ex-companheiro consegue “aliar a capacidade que tem como pessoa à qualidade desportiva e isso é fundamental para praticar uma modalidade coletiva”, justifica o hoquista.

O camisola 66 do OC Barcelos acredita que “esta nova geração de jogadores está a ser preparada para ganhar muitos títulos”, confiando nestes jovens a missão de voltar a trazer um Mundial ou Europeu para Portugal.

Mas falar em Reinaldo é falar em FC Porto. Foram 26 anos de azul e branco e a saída “custou muito”, admite o próprio. Sobre os quatro golos marcados frente à equipa onde sempre jogou, na presente época, o “66” sentiu-se alegre por ajudar o OC Barcelos a vencer um jogo importante, e assegura que “jamais pensaria a nível individual”. O avançado concluiu dizendo que o último ano na invicta foi “um ano muito difícil”, tendo sido muito pouco utilizado sem saber o porquê, e confirma que, passado um longo período de tempo, voltou a ser feliz de stick na mão e patim no pé.

 

Texto: Daniel Azevedo e Tiago Ramalho
Imagem: Norberto Valente
Edição de Imagem: João Pereira