Portugal entrou nesta primeira eliminatória do grupo I da zona euro-africana da Taça Davis, com os olhos postos no acesso ao grupo mundial. Depois da derrota frente à Áustria, o sonho terminou. A seleção portuguesa já sabe que tem que jogar o play-off e o objectivo passa a ser a manutenção no grupo I.

A eliminatória começou da melhor maneira para Portugal. O primeiro a entrar em jogo foi João Sousa contra Gerald Melzer (nº 116 ranking ATP). O Pavilhão do Vitória não estava cheio no início da partida, mas os vimaranenses foram chegando e quando o encontro chegou ao terceiro set, já quase não se viam lugares vazios nas bancadas.

Quem foi ver não se arrependeu. João Sousa venceu o austríaco em pouco mais de duas horas, pelos parciais de 6-1, 7-5, 6-2. O tenista de Guimarães não jogava em casa desde 2013 e neste regresso não podia ter feito melhor: brindou o público com um triunfo e atirou a pressão para o lado dos austríacos. Apesar de se ter jogado bom ténis e de alguns pontos bem disputados, a superioridade de João Sousa nunca esteve em causa. Sempre muito concentrado e eficaz, Sousa não se deixou abalar quando, no seu segundo jogo de serviço, teve que enfrentar um break point. Respondeu com um “às” seguido de outro e mostrou ao que vinha.

A casa estava animada quando chegou a vez de Gastão Elias enfrentar Dominic Thiem (nº 14 do ranking ATP). Apesar da grande diferença entre os dois atletas – Gastão Elias é 121º – sentia-se no ar que alguma coisa surpreendente poderia acontecer, até por o atleta português vir de alguns bons jogos ao longo da época. A esperança foi ainda reforçada depois da vitória no primeiro set por 6-3. Os dois sets seguintes foram do austríaco por 7-5 e 6-3, mas Gastão Elias voltou a estar em grande no quarto set, que acabou com um 6-1 favorável ao português. No entanto, o set final acabou por ser de Thiem, com o austríaco a vencer, no tie-break, por 8-6.

Acossados pela derrota de Elias por uma margem tão estreita, os dois melhores tenistas portugueses da actualidade partiam para o encontro de pares diante de Alexander Peya (nº 24 no ranking ATP de pares) e o já conhecido Dominic Thiem com vontade de empatar a eliminatória e adiar a decisão para domingo. Os portugueses entraram bem no jogo, vencendo os dois primeiros parciais no tie-break, por 8-6 e 7-4.

A partir do terceiro set, o par português baixou a qualidade de jogo. O desgaste físico, depois dos jogos no dia anterior, começou a pesar, nomeadamente em Gastão Elias. Os erros começaram a surgir cada vez mais e os austríacos encontraram-se com o seu jogo. Seguiram-se três sets sem resposta (6-1, 6-3, 6-4) e a confirmação da segunda derrota portuguesa.

O sonho acabou no domingo

Em desvantagem, Portugal chegou a domingo, com a necessidade absoluta de vencer o primeiro jogo. João Sousa defrontava Dominic Thiem e tinha oportunidade de manter a eliminatória em aberto para Portugal, vingando a derrota amarga de Gastão Elias, contra o mesmo adversário. Houve casa cheia para ver o número um português contra o 14º do mundo, mas desta vez Sousa não foi capaz de dar mais uma alegria aos vimaranenses. A derrota foi contundente (6-2, 6-4, 6-2), selando a derrota portuguesa nesta eliminatória da Taça Davis.

O destino do encontro começou a ser traçado logo no primeiro jogo, com Sousa a ter muitas dificuldades para segurar o seu serviço. Com o avançar do encontro e acumulando erros, João Sousa deu argumentos a Dominic Thiem para que este reforçasse a sua confiança e nem o apoio do público, que também foi perdendo força perante a incapacidade do jogador vimaranense. O número um da Áustria deixava os pontos quase assegurados com bons primeiros serviços que depois só tinha que matar. A jogar claramente abaixo do seu melhor, o tenista de Guimarães foi derrotado em 1:35h, acabando o jogo em lágrimas, perante o público presente.

Depois da derrota de João Sousa no primeiro desafio de domingo, o encontro da tarde era apenas para cumprir calendário, já que, a Áustria tinha a vitória assegurada. Inicialmente estava previsto que este encontro fosse disputado por Gastão Elias e Gerald Melzer, mas com a eliminatória resolvida, o capitão austríaco dispensou o seu nº 2 e Nuno Marques chamou a jogo o nº 4 português, Pedro Sousa. Num encontro sem história à partida, Pedro Sousa perdeu em dois sets, pelos parciais de 6-4 e 6-3.

A equipa portuguesa terá agora de lutar para não descer ao grupo II da zona euro-africana da Taça Davis, num play-off de manutenção. No caso de a Áustria vencer o seu próximo adversário, a Ucrânia, será essa a equipa que toca a Portugal neste play-off, no último quadrimestre deste ano.