Dois anos e meio depois regressou a Portugal. Após passagens por Itália e Rússia, Mário Carreiras, mais conhecido por Marinho no mundo do futsal, voltou ao país de origem para representar o SC Braga/AAUM.

O percurso do internacional português inicia-se ainda “miúdo”. “Sempre cresci a jogar futsal”, afirma o ala. A carreira começa nos Fatigados, um clube do Porto, onde Marinho faz a sua formação. Rapidamente chega ao Boavista, onde se estreia na primeira divisão de futsal: “Era ainda juvenil do Boavista e fui chamado a um jogo dos seniores. Não estava a contar jogar e o treinador chamou-me e disse-me «vais jogar hoje». Eu fiquei espantado, mas joguei e ainda marquei um golo”, conta.

Na altura, frente ao Famalicense orientado por Paulo Tavares, Marinho teve uma estreia de sonho, na qual admite ter vivido “um sentimento estranho, mas importante”. A passagem a profissional surgiu aos 18 anos. Pela mão da Fundação Jorge Antunes, na qual reencontrou o atual técnico do Braga/AAUM, o ala recorda que foi “um passo muito importante”, pois viu-se obrigado a sair do Porto e a deixar de estudar.

Próximo destino: Lisboa. Cinco épocas depois de ingressar na Fundação, surge o convite do Benfica. Ao serviço dos encarnados, Marinho conquista a UEFA Futsal Cup, além de um Campeonato Nacional, uma Taça de Portugal e três Supertaças. O jogador do Braga/AAUM não esconde a alegria dos quatro anos passados na capital, considera que integrou um “dos melhores plantéis que já houve em Portugal”.

Mas em 2013, Marinho rumou a outras paragens. “Eles [Benfica] disseram que não contavam comigo”, lembra o português. Uma época atormentada por lesões e as mudanças na equipa técnica do clube são as razões apontadas pelo atleta. O ala afirma que encarou tudo “com naturalidade” e a próxima paragem foi Itália.

Depois de um ano no campeonato italiano, malas feitas para a Rússia, de onde regressou em Janeiro, para representar os bracarenses.

O que falta no currículo de Marinho é um título pela seleção nacional. O bracarense está desde os 17 anos junto dos melhores jogadores portugueses e, curiosamente, foi chamado pela primeira vez com Ricardinho. “Agora há outro acompanhamento e há seleções jovens, mas na altura não havia nada e, nesse estágio, o selecionador resolveu chamar alguns juvenis, como eu e o Ricardinho”, diz o internacional português entre risos.

O atleta dos minhotos não se esquece da primeira vez que representou Portugal: “foi na Eslovénia, dia 22 de Dezembro de 2005. É uma data que vai ficar para sempre”.

Entre os risos de quem recorda a estreia por Portugal, há tempo para momentos menos felizes. Depois da saída do Benfica, a escolha dos italianos do Luparense, numa “liga muito competitiva”, abria novos horizontes ao ala português. “Eles apresentaram-me um projeto bastante interessante e os primeiros seis meses correram bem, mas depois tiveram dificuldades financeiras”, conta.

Os problemas em Itália obrigaram a mudanças. “Se decidirem que vais embora, mandam-te logo embora. Nos primeiros dias de dezembro disseram que a equipa não tinha dinheiro e disseram-me que eu ia embora porque era dos mais caros”, recorda Marinho.

O internacional português teve a “sorte de ter uma oferta da Rússia” para continuar o seu percurso no futsal internacional, onde, durante dois anos vestiu a camisola do Nova Geração.

“Eu sempre fui um felizardo. Desde que cheguei aos seniores do Boavista, com 17,18 anos que me ofereceram salários interessantes”, afirma. O ala bracarense considera que é “complicado para quem não é profissional” e que esse é um dos fatores que impede Portugal de “dar o salto para outro patamar”.

“Antigamente, Instituto D. João V, Freixieiro, Fundação recebiam imensos patrocínios e agora é impossível”. Marinho adianta ainda um possível ingrediente para melhorar a receita: a entrada do FC Porto.

O internacional português já vestiu a camisola “29” do Braga/AAUM com que vai enfrentar os próximos desafios. Para já, o principal está feito: regressar a “casa”.

Texto: Tiago Ramalho

Imagem e Edição: Norberto Valente e João Ribeiro