Em torno da questão “A poesia tem género?” realizou-se, na passada quarta-feira, na biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, uma conversa informal que pretendeu “dar maior destaque à poesia e aos poetas”. Esta iniciativa contou com a participação de Ana Gabriela Macedo, Margarida Pereira (docentes na Universidade do Minho), João Luís Barreto (poeta e médico) e Conceição Lima (“amante da literatura”).

O relógio marcava as 18h30 quando, no auditório da Biblioteca Craveiro da Silva composto maioritariamente por “amigos da biblioteca”, se começou a discutir poesia. Num momento inicial, Ana Gabriela Macedo recuou aos primórdios do século XIX, época onde a voz feminina era ainda desvalorizada, explicando que “as mulheres escreveram na sombra, com pseudónimos, no anonimato, assinando pelos homens”. Décadas depois, o panorama alterava-se ligeiramente, levando todos os oradores a concordarem com o valor que a escritora francesa, Simone Beauvoir, teve no movimento feminista.

João Luís Barreto descreveu a poesia feminina como sendo “mais sentimental e menos racional”, enquanto Conceição Lima afirmou existirem dois posicionamentos distintos, entre poetas e poetisas, demonstrando o seu agrado por essa diferença. Disse ainda que “a mulher de hoje é o resultado de ondas de luta de implantação social”, ilustrando a sua perspetiva com referências a Maria Velho Costa, Maria Isabel Barreno e a Maria Teresa Horta, as “Três Marias”.

No decorrer da conversa, Margarida Pereira levantou uma outra questão: “O que é ter uma voz feminina ou uma voz masculina?”. Apoiando-se na obra de Virgina Wolf, A Room of One’s Own, deixa a reflexão de que a voz da mulher continua a ser uma questão recente.

A troca de opiniões entre a plateia e os oradores foi muito frequente, tendo esta apenas acabado porque a hora de jantar já se aproximava. Se a poesia tem ou não tem género, não foi concluído. Contudo, tem uma voz.

Redação:

Ana Maria Dinis

Mariana Prata

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Joana Lopes Ferreira