Os bracarenses GrandFather’s House lançaram Slow Move, o seu primeiro álbum a 4 de março deste ano. O primeiro EP da banda, Sketelon, editado em 2014, não seduziu a imprensa, mas conquistou o público e resultou em inúmeros concertos entre Portugal e Espanha. “Sweet Love Making”, o tema escolhido para primeiro single de Slow Move, teve direito a videoclipe, lançado a 7 de março. Assinado por Tiago da Cunha, este projeto multimédia firma a identidade de GrandFather’s House.

A banda bracarense, composta pelos irmãos Rita Sampaio (voz e sintetizadores) e Tiago Sampaio (guitarra e voz) e por João Costeira (bateria e voz) tem agora um novo objetivo: “chegar às melhores salas do país e festivais”. Em entrevista ao ComUM, Tiago Sampaio fala do novo disco e do sucesso que o projeto tem tido, tanto junto do público como da crítica discográfica.

ComUM: Na opinião da banda, em que género musical se insere os GrandFather’s House?

Tiago Sampaio: Não gostamos de pensar num género musical no qual nos inserimos. Temos influências, que passam pela música alternativa, pelo rock, soul, blues, música eletrónica… E isso, inevitavelmente, molda-nos e molda o nosso som.

ComUM: E, então, quais são as vossas maiores influências musicais?
Tiago Sampaio: Temos várias influências e muito distintas que vão desde a música americana mais primitiva até à música contemporânea e eletrónica, com nomes como PJ Harvey, Bjork, Peixe:Avião, Alabama Shakes e Muddy Waters.

ComUM: Como surgiu o nome da banda?

Tiago Sampaio: A banda surgiu como um projeto meu, portanto a solo, como one-man band. Na altura, eu ensaiava num anexo da casa do meu avô que, curiosamente, foi a primeira casa da minha família, daí ter surgido este nome.

ComUM: Em relação aos vossos projetos, sentem alguma evolução desde o lançamento do primeiro EP, Skeleton, até agora?

Grandfather’s House: Sentimos uma grande evolução, principalmente porque se trata da introdução de um novo elemento na banda, o baterista João Costeira. A sonoridade evoluiu e o processo criativo também foi muito diferente do EP Skeleton.

ComUM: Qual é a história por trás deste novo álbum Slow Move? De onde surgiu a inspiração para criá-lo?

Tiago Sampaio: Acho que o facto de termos andado na estrada tanto tempo, antes e depois do EP, fez com que automaticamente o momento e a vontade de compor chegasse muito naturalmente. E a entrada do João Vítor na formação, o facto de ser mais uma pessoa com uma palavra a dizer e com ideias, também nos inspirou. E sentimo-nos muito bem a tocar e a compor juntos.

ComUM: Que feedback têm recebido em relação ao Slow Move?

Tiago Sampaio: O feedback tem sido bastante positivo, chegando a superar as nossas expectativas.

ComUM: O vosso último videoclipe, “Sweet Love Making”, tem tido muito sucesso. Como se sentem em relação a esse facto?

Tiago Sampaio: Tem sido incrível ver a aceitação das pessoas [ao projeto]. Temos sido congratulados com muito carinho, tanto pelas pessoas que já acompanhavam o nosso trabalho, como por pessoas que nos estão a descobrir agora.

ComUM: Qual a mensagem que “Sweet Love Making” pretende transmitir àqueles que o veem e ouvem?

Tiago Sampaio: O videoclipe e a música falam do culminar de uma relação amorosa. Retratamos isso através de uma realidade utópica próxima dos tempos de Marie Antoinette. Apresenta-se, por oposição, uma personagem dançante, que exprime, através dos seus movimentos corporais, o vórtice que se pode eximir de qualquer relação — ansiando porém, também ele, por um amor para si.

ComUM: O que é que apreciaram mais, enquanto músicos, no processo de realização deste último projeto?

Tiago Sampaio: Como músicos, o mais entusiasmante penso que é mesmo ver o nosso trabalho finalmente terminado e pronto a dar frutos. Claro, que não só. Todo o processo anterior e posterior a isso é incrível.

ComUM: Já sentiram algum tipo de obstáculos na vossa carreira?

Tiago Sampaio: Sim, claro que sim. Um dos grandes obstáculos é a falta de apoios, não só a projetos musicais como o nosso mas à cultura em geral em Portugal, que penso ser desvalorizada e posta de parte como não sendo algo importante para o desenvolvimento económico e para os cidadãos do nosso país. Acho que, enquanto aqueles que realmente tem influência e poder de decisão não perceberem isso, será sempre muito difícil.

ComUM: Têm objetivos traçados para o futuro enquanto banda?

Tiago Sampaio: Um dos grandes objetivos que queremos atingir é chegar às melhores salas do país e festivais. Conseguir boa visibilidade porque, por mais que tenhamos um bom trabalho na mão, se não chegar a muitos sítios e pessoas, não será reconhecido.

 

Entrevista por: Carolina Ribeiro

Inês Paredes