Na semana em que se celebra o 25 de abril em Portugal, o jornal Público presenteou os seus leitores com um editorial intitulado “Cala-te, Sócrates”. O texto, que surge depois das múltiplas intervenções públicas do antigo primeiro-ministro sobre a atualidade política portuguesa, vem espelhar a revolta do profissional de jornalismo à forma como José Sócrates faz uso do seu discurso.

Antes de mais, sendo a liberdade de expressão um direito institucionalizado pela Constituição Portuguesa, qualquer meio de comunicação tem o direito de se expressar livremente. No entanto, é a forma como o faz que dita a diferença. É certo e sabido que, da mesma forma, que Sócrates tem o direito de expressar as suas ideias, também os profissionais da comunicação podem e devem expressar a sua opinião.

A questão é a falta de bom senso, referida pelo jornal Público, do antigo primeiro-ministro que, ao longo das suas entrevistas e dos espaços de opinião que lhe são concedidos, tenta esconder o Sócrates do passado. Em particular, o diário critica a falta de disponibilidade do comentador em refletir sobre o processo judicial no qual é arguido em detrimento da avaliação do contexto político nacional.

Mas é perante esta situação que o Público vacila ao mandar calar o ex primeiro-ministro, pondo em causa a objetividade e a racionalidade do órgão de comunicação social. Que poder tem um meio de comunicação de mandar calar uma personalidade do mundo político? Até que ponto é possível alguém esquecer o seu passado, achando que tem direito de intervir em todos os assuntos da esfera pública de forma desregrada? Estamos perante um exercício em que se coloca em prática a liberdade de expressão ou a manifestação de uma ideologia política?

As opiniões divergem. A liberdade de expressão é para ser cumprida. Mas será que tanto José Sócrates como o jornal Público estão a exercê-la de forma correta?