À porta da cantina de Gualtar, podiam-se ler várias faixas e papéis, afixados nas grades da entrada. “2,65 é um roubo!”, “A fundação não é o caminho!”. À hora de almoço desta quarta-feira, pediu-se, ou melhor, exigiu-se um maior financiamento do Ensino Público, da Acção Social, e da qualidade das cantinas.

“Aumento?! Só se for no financiamento!”. Este foi o mote para o protesto contra o aumento do preço das senhas nas cantinas da Universidade do Minho (UM). O protesto teve como objetivo o congelamento da subida dos preços das senhas nas cantinas, assunto que os estudantes querem levar a parlamento, através da recolha de assinaturas.

A acção de protesto decorre por todo o país, na tentativa de travar a subida dos preços das senhas. O valor da senha diária na UM subiu no início do mês de outubro, de 2,50 euros para 2,65 euros. Já o preço do pack de dez senhas subiu de 23,5 euros para 25 euros, embora este valor tenha descido 50 cêntimos após uma reunião entre a reitoria, os serviços de acção social (SASUM) e a associação académica (AAUM).

Pedro Gonçalo Costa

Foto: Pedro Gonçalo Costa

Além das exigências já mencionadas, Ana Ramôa, estudante do mestrado em Comunicação, Arte e Cultura e uma das mentoras do movimento, mencionou ainda que o grupo de estudantes que se manifesta quer  que “o valor das bolsas aumente e que abranja mais estudantes, porque os valores em vigor actualmente não fazem face aos reais custos”.

Quanto ao abaixo-assinado, Isac Valente, outro dos organizadores e estudante de Arqueologia, não garante que já tenham sido reunidas assinaturas suficientes para entregar o documento na Assembleia da República, mas afirma que os números na UM são satisfatórios. “Aqui no Minho já reunimos mais de mil assinaturas, portanto estamos a ter um bom progresso”. Segundo o estudante, a recolha de assinaturas continuar, mesmo depois de terminarem os “15 dias de luto pelos 15 cêntimos de aumento”.

Com o início deste protesto marcado para as 12h00, a afluência era reduzida. Mas não era só este protesto que estava na agenda dos estudantes minhotos. O movimento “O Prometeu”, anónimo e criado numa página de facebook, marcou para a mesma hora e local um protesto com o mesmo objetivo.

As praxes também se associaram ao protesto e os cursos de Medicina – associado ao movimento criado pela página “O Prometeu” -, História e Arqueologia e Bioquímica – associados ao movimento “Aumento?! Só se for no financiamento” – também se envolveram na luta estudantil.

Foto: Pedro Gonçalo Costa

Foto: Pedro Gonçalo Costa

O candidato à presidência da AAUM, Diogo Cunha, marcou presença no protesto. Garantindo estar como “outro estudante qualquer, em solidariedade com os dois protestos”. Em relação aos dois movimentos criados, o estudante mostrou-se adepto de uma conjunção dos dois protestos, afirmando que “ambas as manifestações se podiam unir e unir toda a academia em volta disto”.

O 1.º ano de Educação marcou a diferença e, numa reunião de alunos independentes de qualquer movimento organizado, parou, no local do protesto, para afixar folhas com mensagens escritas, defendendo também o congelamento da subida dos preços das refeições. Cláudia Ferreira e Luísa Carvalho, estudantes do 1.º ano de Educação, explicaram que a turma decidiu-se juntar, independente de qualquer protesto, para lutar contra o aumento das senhas.

“O Prometeu” também se manifesta? 

A hora estava marcada e era a mesma para os dois protestos. Organizações diferentes com o mesmo objetivo. Criada este fim-de-semana, a página “O Prometeu” – cujo anonimato é a marca – organizou também um piquenique entre as 12h00 e as 14h00.

O movimento “Aumento?! Só se for no financiamento”, que se formou em resposta ao anúncio do aumento, foi o primeiro a chegar. Só depois das 13h00 chegam os primeiros estudantes associados ao piquenique organizado pela página de facebook “O Prometeu”: “caloiros” e “doutores” de Medicina. E foram os únicos.

As dúvidas são muitas e a especulação ainda maior, sobre quem está por detrás da organização deste segundo movimento contra o aumento do preço das senhas nas cantinas.

Ana Ramôa, do movimento “Aumento?! Só se for no financiamento”, admite que é sempre bom haver mais envolvimento na luta pelos interesses dos estudantes, mas lança críticas ao anonimato d’ “O Prometeu”: “Surgem assim do nada. É uma página de facebook, «O Prometeu», mas quem é «O Prometeu»? Eu gostava que essas pessoas aparecessem e se aliassem para podermos dar mais expressão a isto”.

O ComUM contactou a página “O Prometeu” para obter declarações, mas o movimento remeteu-se ao anonimato. O nosso jornal, neste caso, não publica informações sem identificação de fontes.

Texto: Hélio Carvalho, Pedro Gonçalo Costa e Tiago Ramalho