Decorreu ao início da tarde de hoje, à porta da cantina da Universidade do Minho (UM) em Gualtar, um protesto e uma recolha de assinaturas contra o recente aumento de 15 cêntimos no preço da senha de refeição. Sob o mote “Basta de aumentos, o Ensino Superior não é um negócio”, os organizadores pretendem entregar um abaixo-assinado na Assembleia da República.

À porta da cantina de Gualtar, estavam pratos de plástico com mensagens e palavras de ordem contra a decisão da Universidade. “Pouca vergonha”, “É um roubo” e “Grão a grão, enche a UM o papo” eram algumas delas. “Vão ser 15 dias de luta pelos 15 cêntimos de aumento. Estas acções vão prolongar-se até ao dia 31 de Outubro”, diz Isac Valente, estudante de Mestrado em Arqueologia e um dos organizadores do protesto.

Lançado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um abaixo-assinado pretende o “congelamento imediato do preço do prato social”, o “reforço da Acção Social” e o “reforço do financiamento do Ensino Superior”. O documento está desde hoje a circular nas universidades do Porto, Coimbra, Lisboa, Évora e Minho. A nível nacional, o objectivo é chegar às 7 mil assinaturas e entregar o documento na Assembleia da República.

“Quero alertar todos os alunos: vale a pena lutar”, apela Isac Valente. O estudante de Arqueologia lembra uma acção do ano passado que conseguiu reunir aquele número de assinaturas, fazendo com que “o congelamento da propina máxima” tivesse sido “realmente conseguido”. E, quanto a este abaixo-assinado, rejubila: “Quase todos os alunos que entram na cantina assinam”.

“Inércia” da Associação Académica

Ana Ramôa, estudante na UM no mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, também uma das organizadoras deste protesto, é categórica: “Tenho a certeza que junto dos alunos esta recolha de assinaturas está a ter sucesso”. Ana alega que os estudantes “não têm mais por onde suportar os custos que o Ensino Superior hoje acarreta, como as propinas, que são de um valor exorbitante”. “A universidade tem de suportar estes aumentos”, reivindica.

Ana Ramôa pediu “garantias” à Associação Académica (AAUM) para se associar a este protesto, mas de nada valeu. “Tivemos uma resposta esquiva. A AAUM não está associada, mas temos a certeza de que teve conhecimento” desta acção de protesto. Com cerca de 200 assinaturas reunidas em cerca de uma hora, Ana Ramôa diz que está a “agir contra a inércia da AAUM”.

Lei que obriga a aumento “não é realista”

A lei determina que o preço das senhas de refeição esteja indexado ao valor do salário mínimo nacional (actualmente em 530 euros mensais). Perante o argumento legal, Isac Valente escuda-se com a atitude da Universidade de Coimbra: “O preço em Coimbra ainda está fixado em 2,40€, portanto essa é mais uma desculpa para se aumentar”.

O estudante diz que a lei “não é realista”, porque se o salário mínimo aumenta “é para termos, teoricamente, melhores condições de vida”. “Dá-se com uma mão e tira-se com outra noutras despesas”, remata. E promete não desistir: “O culminar destes protestos vai ser a descida do preço das senhas”.