“Fotografar um rosto bonito é fotografar um rosto bonito, mas fotografar um rosto com rugas é fotografar uma história”. Longe estava Arlindo Rotundo de imaginar que, ao dizer esta frase ao seu filho, ajudá-lo-ia a encontrar em rostos rugosos histórias sem fim. O filho é Leonardo Vilela, jovem fotógrafo nascido em terras de Vera Cruz, em Minas Gerais, e autor do conjunto de fotografias que constituem a exposição “Traços e Rugas. Retratos”.

É na Câmara Municipal de Guimarães, nos claustros do edifício, que se encontram as dezenas de retratos da autoria do brasileiro. Leonardo contou que gosta “de ler as histórias em cada ruga deles”. Eles são gente que já viu muita gente nos seus muitos anos de vida. A neutralidade inerente a cada um dos retratos (todos eles são a preto e branco) destaca “o sentimento e a expressão do fotografado”, como o fotógrafo explicou.

São faces marcadas pela passagem do tempo, incessante, que parece deixar traços por cada experiência que se vive. Talvez as rugas que se colecionam sejam apenas as experiências que a vida dá a ganhar forma física, como uma metáfora para nos lembrarem de que tudo o que vivemos, de alguma forma, nos muda. Cada rosto que se vê parece contar uma história, e cada marca na pele são os seus capítulos.

Há um homem que segura numa câmara fotográfica. Talvez também ele tenha a mesma vontade de eternizar num disparo aquele segundo, num exercício (quase) completo de guardar o mundo num pedaço de papel – hoje, e para muitos, no cartão de memória. Quase completo porque a vida segue, porque mais rugas virão, até que um dia se cansem de nascer para que um ciclo se feche.

A exposição, inaugurada no mês passado, pode ser visitada até 28 de novembro. A entrada é gratuita.

Fotografia: Nuno Gomes