A Tuna Académica Feminina da Universidade do Minho, mais conhecida por Tun’ao Minho, aliou a tradição à irreverência no seu primeiro festival de tunas femininas. O I Tunão decorreu este fim-de-semana e envolveu cerca de 200 participantes. A cidade bracarense pulsou de espírito académico, rendida à energia e ao encanto das tunas vindas de vários pontos do país.

Ainda antes do festival começar, sexta-feira foi noite de Serenatas. As instalações da Reitoria da Universidade do Minho, no Largo do Paço, revestiram-se de um silêncio solene, para acolher a união de vozes e instrumentos das diferentes tunas.

Na tarde de sábado, teve lugar um animado cortejo musical que, no contexto das tunas, se apelida de “Pasacalles”. As condições atmosféricas adversas impediram o cortejo de chegar a todos os pontos pretendidos do centro histórico da cidade. Mesmo assim, acordes e batidas ecoaram pelas ruas, por entre a chuva, banhados de boa disposição.

Horas mais tarde, o Auditório Adelina Caravana, do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, foi palco do principal evento do festival. A apresentação do espetáculo ficou a cargo de membros da Tuna Universitária do Minho, perante uma plateia repleta de espetadores.

Tudo se inicia com o pedido de apadrinhamento da Tun’ao Minho à Tuna Universitária do Minho. Este momento transformou o ambiente da sala: nos rostos comovidos dos assistentes era visível nuns a alegria de ser universitário, noutros a saudade dos tempos da academia.

Seguiram-se as atuações contagiantes das tunas a concurso. As palmas, os gritos de encorajamento e o acenar de tricórnios não faltaram, intercaladas pelo humor dos apresentadores. O rodar dos estandartes e as acrobacias com a pandeireta deliciaram o público.

Por último, deu-se a entrega dos prémios. O prémio de Melhor Tuna foi atribuído à Tuna Feminina de Medicina do Porto, que recebeu também o de Melhor Instrumental e Melhor Porta-estandarte. Já a Encantatuna arrecadou os prémios de Melhor Serenata, Vencedora da “Lip Sync Battle” e Melhor Solista. As Sirigaitas arrecadaram o prémio Melhor Original, enquanto a Tôna Tuna levou para Bragança os prémios Melhor Pandeireta e Tuna mais Tuna.

A organização do festival, da responsabilidade da Tun’ao Minho em conjunto com a Associação Recreativa e Cultural da Universidade do Minho, recebeu elogios das tunas convidadas. “Não falhou nenhum pormenor, estava tudo muito bem organizado, desde as visitas guiadas às refeições, aos convívios e atuações, e isso é muito importante”, afirma um membro da tuna Sirigaitas.

O Tunão nasceu em 2015 enquanto encontro de tunas femininas e, este ano, foi reinventado sob o formato de festival. Estiveram a concurso quatro tunas: chegada da Covilhã, a Encantatuna (Tuna Académica Feminina da UBI); da cidade do Porto, vieram as Sirigaitas (Tuna Feminina da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto) e a TufeMed (Tuna Feminina de Medicina do Porto); por fim, marcou presença a Tôna Tuna (Tuna Feminina Universitária de Bragança). Como participantes extraconcurso, o festival contou com os grupos culturais Bomboémia e Tuna Universitária do Minho.

O I Tunão encerrou hoje com um almoço e uma tarde de convívio entre tunas. A primeira edição do festival termina com os sorrisos dos participantes e com uma marca na lista nacional de festivais de tunas.

Fotografia: Joana Lopes Ferreira