“A luz entre oceanos”, de M. L. Stedman, foi um livro que criou uma grande expectativa na Feira do Livro de Frankfurt em 2011. Está de novo nas bocas do mundo, depois de ter sido adaptado ao cinema este ano.

A obra dá-nos a conhecer Tom Sherbourne, um sobrevivente da I Guerra Mundial, que continua a ser perseguido pelas constantes recordações de mortes e atrocidades que viveu na guerra. Quando regressa, é-lhe oferecido um cargo de faroleiro em Janus.

É nesta ilha que Tom e a sua recém-esposa, Isabel, se mudam para poderem viver uma vida regrada e pacata. A vida de ambos muda quando dá à costa um barco que traz um homem morto e um bebé que Tom e Isabel “adotam”. É esta decisão, de ficarem com a bebé, que move toda a historia e que os vai levar a passar por diversas provações.

Fonte: goodreads.com

Fonte: goodreads.com

Esta é uma obra que trata sobre, tal como está na capa do livro, “o bem e o mal e de como por vezes se confundem”. A grande questão deste enredo é se existe, realmente, limite entre o bem e o mal, e o que acontece quando se transpõe este limite. Este é, de facto, um livro em que não existe uma personagem totalmente má ou totalmente boa. É importante ressalvar que todos os personagens estão construídos de forma a serem o mais “naturais” possível.

Em nenhum momento da história o leitor se vê a odiar uma personagem, antes pelo contrario. O leitor, mesmo que não goste de determinada ação, acaba por entender, porque percebe que teve um motivo. No fundo, uma das grandes qualidades deste livro é que o leitor facilmente se coloca no lugar da personagem e se identifica com as ações e com os sentimentos da mesma.

Um dos maiores problemas do livro “A luz entre oceanos” é a personagem Isabel. Talvez por ser relativamente nova (em termos de idade). A Isabel falta-lhe tato, falta-lhe consciência e maturidade que os outros personagens têm e que acaba por contrastar em demasia.

“A luz entre oceanos” é uma obra que prima por uma escrita exímia, por personagens extremamente bem pensadas, e por uma história que tem por base uma ideia cliché, mas que acaba por se desenrolar de uma forma que cativa o público. Poderia ter sido mais um livro sobre um casal que “adota” uma criança e o drama que isso acarreta para a família biológica. Mas é mais que isto, são todas as emoções e sentimentos que andam a volta dos intervenientes, e a capacidade incrível de Stedman conseguir transcrever para o papel emoções de uma forma que poucos são capazes. É, com certeza, uma obra que recomendo.