A cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) decorreu ontem no Salão Medieval da reitoria, no Largo do Paço. Investidos todos os responsáveis pela associação, foi pelos discursos do novamente presidente, Bruno Alcaide, e do reitor da UMinho, António Cunha, que se viu ser mais aquilo que os une do que aquilo que os separa.

Bruno Alcaide: “Há reticências onde antes de esperavam pontos finais”

“Pensar em grande não é tarefa dos deuses, mas dos homens”. E o homem que pela segunda vez consecutiva assume os destinos da AAUM quer, no novo mandato, “conjugar o progresso e a renovação, na certeza de ter reunido uma equipa de grande qualidade”. Bruno Alcaide está orgulhoso do trabalho desenvolvido durante o último mandato e salienta “o congelamento do valor de propina, o não pagamento de uma nova taxa para alunos de doutoramento e as melhores condições na frequência do ensino superior”. “Firmámos a vertente social da UMinho”, resume.

“Motivado por continuar a lutar pelos interesses dos estudantes”, Bruno Alcaide defende, porém, uma “revisão do regulamento de atribuição de bolsas”. Num quadro de “sub-financiamento” do ensino superior que classifica de “crónico” e que diz constituir “amarras no caminho do progresso”, Alcaide promete “reivindicar junto do governo uma actuação mais preocupada”, em nome de “maior intransigência”. E vai mais longe nesta promessa: “Temos de inverter o caminho seguido pelo actual governo”.

Numa cerimónia em que estiveram presentes representantes das unidades orgânicas da UMinho, dos Serviços Académicos, dos Serviços de Acção Social mas também representantes da Câmara Municipal de Braga, o presidente da AAUM destaca a importância das autarquias. “É vital celebrar acordos com as câmaras municipais”, sublinha, lembrando que 2017 é ano de eleições autárquicas. Foi neste momento que Bruno Alcaide, sem nomear cargos ou entidades, referiu, todavia, a “falta de vontade política” para se avançar com a nova sede da AAUM, um projecto que “caiu por terra”, afastada que está a hipótese da associação vir a instalar-se nas antigas instalações da fábrica Confiança. Pelo contrário, a Rádio Universitária do Minho muda-se para o Gnration ainda este ano, facto lembrado no discurso.

Reeleito em Dezembro passado com 60% dos votos, “um resultado claro e inequívoco”, Bruno Alcaide diz ser necessário “reforçar a presença da Universidade do Minho em Guimarães”, tarefa que passa pela “reestruturação das vias de acesso” e por melhorias ao nível dos transportes públicos.

E se “os legítimos interesses dos estudantes são os fundados interesses da academia”, o presidente da AAUM assegura uma maior “proximidade com o provedor do estudante” e mais “diálogo com a reitoria”. Alcaide estaria a referir-se à “revisão do regulamento académico da Universidade do Minho”, que diz ser necessário, por este se encontrar desactualizado.

O texto não terminaria sem vincar os “40 anos de história ímpar” da AAUM, “o ponto de partida e de chegada dos estudantes”.

“A AAUM está em boas mãos”, assegura António M. Cunha

Num discurso espontâneo e 45 minutos atrasado, o reitor da Universidade do Minho disse ser “com grande prazer que testemunha a tomada de posse” dos novos órgãos sociais da Associação Académica. António Cunha começou por elogiar o modo como decorreram as eleições académicas de 13 de Dezembro, que tiveram “um elevadíssimo nível de participação” (a abstenção atingiu um nível historicamente baixo, tendo, ainda assim, ficado nos 74%). Ao parabenizar os restantes candidatos às eleições, esqueceu-se de referir a candidata Ana Ramôa, da Lista C.

Mais sintéticas, as palavras do reitor para a AAUM apontam para a “irreverência e modo próprio de ver a UMinho”, consubstanciados na “agenda interessante de momentos de convívio e de divertimento, que certamente fazem parte da vida universitária”. O “modo próprio” de ver a UMinho, conclui, explica-se pela “visão mais jovem” da AAUM.

Apesar de ir apontando “divergências e formas de pensar diferentes”, António Cunha sublinha a “lealdade e o respeito mútuo” entre a associação e a reitoria. Apelando a uma “criatividade e dimensão ética muito fortes”, vinca a importância de haver “mais ambição” na acção social, “para garantir que ninguém deixa de frequentar a Universidade do Minho por razões económico-financeiras”.

O reitor da UMinho fez também questão de falar da nova sede da AAUM e manifestou a “esperança” que neste mandato se dê “o pontapé de saída” no projecto, abrindo a porta a uma nova sede “dentro do campus”. As palavras finais foram para o “colega mais novo” Bruno Alcaide, um “jovem muito particular” pelas suas “dimensões intelectuais” e, após um ano na presidência da AAUM, agora “ainda mais experiente”.