Ficou fora do pódio, mas mesmo que tivesse conseguido um dos três primeiros lugares nada seria diferente na sua carreira e até mesmo na sua vida.

Nasceu em Guimarães, atual campeã nacional pelo Futebol Clube de Vermoim e capitã da seleção de futsal feminino. Eis Ana Azevedo, 30 anos, uma das cinco melhores jogadoras de futsal do mundo em 2016 e n.º1 a nível nacional, segundo a Federação Portuguesa de Futebol.

Representa o Vermoim há cerca de uma década e foi graças às exibições no clube e na equipa das “quinas”, que se viu pela sexta vez consecutiva entre as melhores do mundo. A atleta arrecadou 254 pontos na votação organizada pelo portal Futsal Planet, atrás de atletas como Armandinha e Vanessa Sotelo.

Não há segredo para estar há tantos anos no topo. A base para o sucesso é “ter prazer naquilo que se faz”. Ana Azevedo recusa vedetismos e distribui louros pelas pessoas do clube famalicense, além de congratular as outras colegas de seleção nomeadas.

A jogadora minhota é capitã do “clube da terrinha”, como trata, carinhosamente, o FC Vermoim, onde conquistou o título de campeã nacional na época transata à frente de equipas como Benfica e Sporting. Para além disso, Ana Azevedo enverga a braçadeira de capitã ao serviço de Portugal.

Sobre o trajeto percorrido até ao momento na seleção, a atleta fala no orgulho que sente em defender as cores de Portugal. Considera que ela e as companheiras precisam de um título importante para se sentirem mais realizadas.

“Falta uma prova reconhecida pela FIFA. Cada país faz um esforço enorme para continuar esta luta”. Segundo Ana Azevedo, existem ainda muitas discrepâncias entre o futsal masculino e o feminino. É algo que se vê imediatamente pelo exemplo dado pela atleta minhota em relação ao organismo máximo que tutela o futsal, a FIFA.

Mas desengane-se quem pensa que a quinta melhor jogadora do mundo depende exclusivamente do futsal para viver. Para além de ter a sua carreira na modalidade, Ana Azevedo é também administradora numa empresa de Braga. Gerir estas duas atividades “custa imenso” e só o “amor à camisola” torna tudo isto possível.

                            

Mas será que uma atleta que é nomeada consecutivamente há seis anos para melhor do mundo nunca teve propostas de outros emblemas? Ana Azevedo admite que já as teve, mas explica a razão para ter recusado: “Nunca precisei de sair para ganhar dinheiro, para ser reconhecida a nível internacional”. A vimaranense declinou propostas de Itália e de clubes portugueses com maior poderio financeiro para continuar no Vermoim.

A atleta “que nasceu com a bola no pé” entrou no mundo do futsal graças ao irmão. Já quanto a uma hipotética saída da modalidade, no fim da carreira, Ana Azevedo gostava de o evitar, mas isso depende da “evolução da modalidade”.

Imagem e Edição: João Pereira