O final do primeiro dia de festival, ontem, contou com uma sala quase cheia. João Barbosa, magíster da TUM (Tuna Universitária do Minho) e responsável da organização, promete “atuações com muita qualidade”, várias surpresas e muita alegria e animação. O XXVII FITU Bracara Avgvsta, Festival Internacional de Tunas Universitárias, termina hoje à noite, no Theatro Circo.

Ao chegar ao Theatro Circo, a chuva afastava os estudantes e afastava também o costume de se reunirem antes do espetáculo. Quando ainda faltavam uns minutos para o início do espetáculo, a sala estava longe de estar cheia, mas começou a compor-se gradualmente.

O espetáculo começou com uma surpresa da TUM. Os “amigos das meias vermelhas” convidaram a Gatuna, a Tuna Feminina da Universidade do Minho, para partilharem o palco na primeira música do festival: uma homenagem à ‘Caracol’, membro da Gatuna que faleceu há pouco mais de um mês.

Depois de um primeiro momento que emocionou os participantes e a audiência, a tuna anfitriã, já sozinha em palco, retomou o ambiente boémio que os caracteriza. Terminou com “Boémia”, música dedicada à própria tuna. Segundo o apresentador, “deixa de ser um grupo de idiotas quando os momentos menos bons chegam”.

Uma atuação feita apenas com músicas originais trouxe temas se distinguiram pela harmonia de vozes, de instrumentos e de movimentos corporais. Terminaram com uma balada de despedida “para os que têm saudades de ser estudantes” e para outros que “já têm saudades daquilo que ainda não acabou”.

Na segunda parte, a Tuna Universitária de Aveiro propôs-se a levar o Theatro Circo numa viagem inspirada na Veneza de Portugal. Com uma sonoridade marcada pelas cordas e pelos detalhes, as navegações terminaram com “À Beira Mar”, onde o público participava também com aplausos.

A Tuna de Medicina de Porto, foi aquela que recolheu mais aplausos durante toda a noite. Começou com uma música ao amor perdido e continuou com “Valsa pelo meu país”, a apelar à intervenção e ao inconformismo. Terminaram com uma ode sobre o que é ser-se tuno de medicina na cidade portuense.

Em jeito de despedida, os anfitriões subiram ao palco. Num registo humorístico, brincaram com a evolução musical para “encher chouriços”, segundos os próprios, e preparar a audiência para receberem os seus ‘afilhados’, os elementos da Azeituna. As cortinas baixaram, mas a música não acabou. A Azeituna saiu por entre o público e continuou a atuar à entrada da sala de espetáculos.

À saída, Lúcia Fernandes e Joana Antunes, em declarações ao ComUM, referiram que o FITU “esteve mais fraco a nível de público”. Segundo ambas, contudo, o festival manteve a qualidade de atuações de anos anteriores.

A TUM mostrou-se bastante satisfeita com a primeira noite de festival. João Barbosa fala em “atuações com bastante qualidade” e numa noite prometia ainda muita animação e convívio. Sobre o segundo dia, afirmou que esperam casa cheia, apesar do jogo de futebol “muito importante” no mesmo horário, e que as pessoas podem contar com muitas surpresas e um grande espetáculo. Destacou as surpresas que têm preparadas, uma delas durante a sua atuação, e a Tuna de Valadolid que “irá animar com um estilo diferente, menos tradicional” que se junta ao Tunadão 1998, à Tuna da Universidade Católica Portuguesa do Porto e à anTUNiA.

O ComUM falou ainda com algumas das tunas convidadas. Pedro Pinto, membro da TMUC afirmou que atuar no FITU é “uma sensação de adrenalina única” e “um privilégio”. O seu colega, Tiago Oliveira, referiu que voltava a aceitar o convite, numa próxima edição, “sem pensar duas vezes”. Da parte da Azeituna, Emanuel Roriz, aproveitou para agradecer o convite e confessou que, apesar de já terem atuado várias vezes no Theatro Circo, “todas as vezes são especiais” e que a participação do público “é a melhor sensação de todas”.

Ontem, o XXVII FITU Bracara Avgvsta contou ainda com a atuação do Grupo de Jograis Universitários do Minho, que procuraram animar a plateia com piadas sobre a atualidade política e económica nacional, a eleição de Donald Trump, sem esquecer a academia minhota e a falta de condições das salas de estudo. Hoje, a TUM e os Jogralhos voltam a atuar. A concurso estarão a anTUNia, Tuna de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, o Tunadão 1998, Tuna do IPV e a Tuna da Universidade Católica Portuguesa do Porto, que se juntam à espanhola Tuna de Derecho de Valladolid.

Fotografia: Hélio Carvalho