Depois do dia aberto, o Rodellus continou esta sexta-feira com o segundo dia do festival. Ansiava-se pela chegada dos First Breath After Coma e dos Stone Dead, que levaram todos ao rubro. Twin Transistors, Ratere, Mira, Un Lobo! e Ghost Hunt também trouxeram diversão ao campo, e não deixaram ninguém parado.

Hélio Carvalho/ComUM

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Um dos dias mais desejados chegou. O recinto encheu-se para ver os First Breath After Coma, que trouxeram o seu post-rock até ao palco Rodellus. Com os olhos fechados, os músicos sentiam e faziam sentir a música. A banda atuou numa noite fresca de verão, em que inicialmente a alma estava quente, mas o corpo frio. Vieram mudar isso.

O poder da música era tão intenso, que foi impossível o público parar de se mexer. No público, ouvia-se constantemente: “Estou arrepiado”. Começaram com “Salty Eyes”, e também “Nagmani”, música com colaboração de André Barros, se fez ouvir. “O Rodellus é muito diferente do que se encontra por aí. Isso é bom”, disse Roberto Caetano, o vocalista da banda. Os First Breath After Coma mostraram não ter medo de nada, nem mesmo do campo.

Hélio Carvalho/ComUM

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Ainda num clima intenso, os Stone Dead entraram de rompante com o seu furacão de rock’n’roll. O público saltava e o headbanging cobria a plateia e o campo de milho ao lado.. O rock no seu lado mais puro era acompanhado com três vozes que funcionavam como coro. O baterista, com uma energia diabólica, tirou a camisola, e com os pés em cima do banco atirou-se à música. O verdadeiro rock’n’roll esteve ali: o microfone caiu com a proximidade e intensidade dos gritos (para desespero bem visível dos técnicos), um dos guitarristas ficou com os cabelos ao vento, dançando freneticamente. Deixaram tudo em palco, como se aquele fosse o último concerto das suas vidas.

Numa noite com muito rock, os Twin Transistors não se deixaram temer. Abriram a noite no palco principal com vozes rasgadas, e apresentaram as “malhas” do rock psicadélico do seu segundo single, “Sun of Wolves”, e tocou-se também “Guided by Voices”. No final do concerto, gritou-se na plateia: “Bem-vindos ao campo!”. Começava-se bem.

Nesta segunda noite do festival, o Palco Eira recebeu os Ratere, amantes do rock feito no Minho, que fazem música com guitarras, um piano e uma bateria, sem ser preciso voz. Não havia melhor plano para uma véspera de fim-de-semana: as pessoas bebiam descontraídas a ouvir músicos bem concentrados naquilo que faziam.

Mais para o final da noite, foi a vez dos Mira, un Lobo! e Ghost Hunt atuarem. Os Mira, un Lobo! apresentam sonoridades eletrónicas, mas sem nunca esquecer o conceito de canção. Não é demasiado pesado nem repetitivo, pelo que é mais direcionado para o ambiente descontraído. Prova disso é uma das suas músicas mais conhecidas, cujo nome é o mesmo que o do álbum: “Heart Beat Slow”. Depois vieram os Ghost Hunt, que começaram a sua caminhada recentemente, em 2014. Com o baixo, forma-se o rock; com os sintetizadores, a eletrónica. É na mistura destes dois mundos que o grupo faz música.

Durante a tarde, houve tempo para descontrair na relva do recinto do Palco Rua com a atuação dos dois grupos vencedores do concurso de bandas. Os Sardinha Também É Peixe, vencedores do concurso do Palco RUA, cantaram e encantaram o público, num ambiente campestre descontraído. Baixista sentado, de bandana no cabelo; vocalista a mandar “adoro-te” para o meio da floresta. Estava “pouca gente”, mas era “gente boa”.