As residências artísticas no GNRation nunca nos trouxeram algo mau. Depois de Gonçalo, Ermo, con+ainer, Máquina Del Amor e Leviatã, desta vez foram os Grandfather’s House a comprovar isso mesmo. Com um novo álbum aí à porta, a banda bracarense deu a entender através das novas músicas a evolução que tem vindo a percorrer desde o seu início.

Hélio Carvalho/ComUM

Hélio Carvalho/ComUM

Vindo do sol quente de uma tarde de setembro, quando se entra na Blackbox do GNRation, é como se se entrasse numa noite fria e obscura de inverno, com uma névoa a sobrevoar as cabeças de todos. Pouco depois da hora marcada, eis que surgem em palco os três habituais elementos dos Grandfather’s House, mais Nuno Gonçalves, o quarto elemento da banda, presente em várias atuações ao vivo e membro integrante na criação deste novo disco, “Diving”, que ali foi apresentado pela primeira vez.

Vestiam roupa igual, um macacão negro, e começaram com o tema que tem a participação do convidado mais obscuro. Falo de Adolfo Luxúria Canibal, alguém que dispensa apresentações no panorama musical em Portugal. Mesmo que ele não tenha estado presente para dar um cunho mais pessoal à atuação, o tema cantado (ou falado) em português, algo inédito nos Grandfather’s House, foi um belo mote para o que ali se iria passar nos restantes minutos.

Ao terceiro tema, ouviu-se o single, intitulado “You Got Nothing To Lose”, e a partir daí passou a existir mais um motivo de deleite. Os visuais projetados, a cargo de Élio Mateus e João Novais, transportaram o público para outro planeta. Talvez aquele que nos era ali apresentado numa circunferência perfeita, branca, a contrastar com todo o ambiente envolvente.

Hélio Carvalho/ComUM

Hélio Carvalho/ComUM

Mas não foi este o único motivo que nos levou a ficar retidos no fundo do palco, onde as projeções nos completavam os sentimentos que Rita Sampaio nos incutia com a sua voz angelical. Mais tarde – já com o público rendido às novas músicas, que serão lançadas dia 15 de setembro e tiveram a colaboração de Mário Afonso, no saxofone, para além dos já mencionados Nuno Gonçalves e Adolfo Luxúria Canibal – as projeções com tonalidades quentes fecharam o concerto em beleza, em consonância com o tema “I Hope I Won’t Die Tomorrow”.

Pelo meio houve oportunidade para contemplarmos os dois singles de “Slow Move”, o álbum anterior, editado em março de 2016. Com “Sweet Love Making” e depois “My Love” era inevitável não se ficar arrepiado. Isto deve-se muito ao facto de nesses temas, Rita Sampaio se dedicar exclusivamente à voz, deixando o trabalho de sintetizadores a cargo de Nuno Gonçalves. Assim o resultado é muito mais arrebatador, ficando a banda com mais presença em palco.

Nas novas músicas, tal como habitual, contamos com as sólidas batidas de João Vítor Costeira e com os riffs e solos que Tiago Sampaio tão bem nos habituou. Os agradecimentos foram muito transversais, desde a todos os que contribuíram para a criação e gravação do álbum, a todos os que andam na estrada com a banda, sem esquecer o público e as pessoas por trás daquele espetáculo de projeções e visuais.

Tudo isto foi uma grande prova de que os Grandfather’s House têm um belíssimo futuro pela frente. Têm algo original e cativante que os difere dos restantes a nível nacional. A apresentação do álbum seguirá com mais novidades ainda por revelar.