Apesar de a hora ser um pouco antes da marcada para o início do espetáculo, quando a plateia começou a entrar na Sala Principal do Theatro Circo, o palco já estava preenchido por uma imagem bem característica. Ao contrário do habitual, as cortinas do palco estavam abertas, revelando um cenário simples, com o grupo de atores sentados, de copo de vinho na mão, à volta de um sofá, a encarar o público.

“Uma menina está perdida no seu século à procura do pai”, é o nome da peça interpretada e adaptada pelo grupo de teatro Crinabel, pertencente a uma cooperativa iniciada para a reabilitação de crianças e jovens com atraso no desenvolvimento. Conta a história de Hanna, uma menina de 14 anos, portadora de Síndrome de Down, procura o seu pai, quando encontra Marius, que a ajuda. Pelo caminho destas duas personagens passa um hotel de Berlim, onde os quartos têm nomes de campos de concentração, uma família que gosta de colar cartazes pelo mundo, tentando mudar mentalidades, ou um fotógrafo que coleciona fotos de animais e pessoas com deficiências. Tudo se passa no Século XX e estas não são as únicas personagens com um toque invulgar.

Numa adaptação do romance de Gonçalo M. Tavares, “Uma Menina Está Perdida No Seu Século à Procura do Pai ” junta intérpretes portadores de deficiência intelectual e física e atores do Teatro D. Maria II, num espetáculo onde a entrega dos atores se destaca. Apesar das limitações dos artistas, a peça não perde impacto, emocionando mais a plateia a cada cena que os congratulou no final com um forte e longo aplauso.
Uma peça de encontros e desencontros deixa assim a intenção de mudar mentalidades, discutir as construções sociais e intrigar o público com uma representação bem única.

 

Por Andreia Miranda e Joana Lopes Ferreira