”Mãe!” é seguramente um dos filmes mais bizarros realizados este ano. Protagonizado por duas grandes personagens, Ele (Javier Bardem) e Mãe (Jennifer Lawrence), o filme foca-se na história deste casal que vive num lugar remoto e começa a receber vários estranhos, ameaçando a relação e o bem-estar dos mesmos.

Escrito e dirigido por Darren Aronofsky, cineasta de filmes como ”Cisne Negro” e ”Noé”, ”Mãe!” alterou completamente as regras dos típicos filmes de terror, não obedecendo a clichês ou story lines características destes géneros.

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Ele, um célebre escritor, passa por um grave writer’s block, pois não consegue escrever desde que a sua casa ardeu. É um homem que vive para ser reconhecido, pela atenção dos outros e mostra-se peculiarmente hospitaleiro quando um médico toca a campainha de sua casa, a meio da noite, afirmando pensar que era um ”Comer e Dormir” da região. Mãe, relativamente mais nova que o seu marido, não é tão receptiva à ideia de deixar um estranho dormir na casa do casal, mas, como sempre, procura agradar e cede.

No dia seguinte, uma senhora ”Mulher”, procura o seu marido,”Homem”, na casa. Entre conversas ”Ele” deixa-a ficar, juntamente com o seu parceiro, por mais uns dias, apesar de nunca os ter conhecido antes. Claramente não é algo que todos fariam e Mãe não é exceção. Ela refuta e tenta evitar a cordialidade do marido mas, como é bastante submissa, acaba por aceitar.

A casa, que ainda está em reconstrução, é algo muito valioso para Mãe e quando estas visitas inesperadas começam a partir copos, a sentarem-se na pia que está por chumbar e até mesmo a pintar paredes, o desespero e a incompreensão instalam-se na jovem que, por muito que tente, é incompreendida pelo marido.

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Com o tempo, mais e mais pessoas começam a entrar na casa. Há mortes e funerais, festas e imprensa, um ambiente caótico e grotesco, sendo mesmo surreal, que deixa muitas questões ao espectador. Porque é que Ele deixa tantos desconhecidos entrar em casa? Porque é que ninguém, para além de Mãe, percebe o quão errado e incomum é a situação toda?

Este terror psicológico divide opiniões e é fortemente criticado devido à sua controvérsia narrativa, como seria de esperar, pois aborda temas como o amor, a traição, a morte, o fanatismo. Pode-se ainda comparar a personagens da bíblia: o Homem é Adão, a Mulher Eva, a Mãe uma metáfora da Terra e nós -humanos- somos as visitas que apesar de tudo o que a mãe Natureza nos dá, acabamos por a destruir.

Mais uma vez, Darren Aronofsky realizou um verdadeiro ”come cacos” e ninguém ficará indiferente a este mórbido suspense, que nos corta constantemente a respiração durante os 121 minutos.