Muitas são as histórias contadas pela adepta do SC Braga que vai com a equipa para todo o lado. Melinha relembra com especial carinho a primeira Taça de Portugal conquistada pelo clube.

O nome Maria Amélia Morais pouco ou nada diz ao comum espetador de futebol, mas se alguém falar em Melinha do Braga, o caso muda de figura. Seja no Municipal ou em qualquer outro estádio no qual o SC Braga jogue – tanto em Portugal como no estrangeiro –, todos reconhecem a boa disposição e o cabelo sempre aprumado da adepta bracarense. A história do clube confunde-se com o seu percurso de vida: o SC Braga comemora hoje 97 anos de existência; Melinha completa no dia 15 de fevereiro o seu 82º aniversário.

“Levei muita porrada da minha mãe, ela mandava-me lavar a louça”, conta, entre risos, ao recordar os primeiros anos em que acompanhou o SC Braga. Criada em São João da Ponte, Melinha assume que a proximidade geográfica com o Estádio 1º de Maio (antes denominado Estádio 28 de Maio) contribuiu para o despertar da sua paixão pelo clube minhoto. Este amor começou com nove anos e perdura até hoje. “Aplaudir o meu Braga é o mais importante para mim”.

As histórias e os jogos são muitos, mas o dia 22 de maio de 1966 é recordado com especial carinho. Revela, com notório orgulho, que assistiu à conquista da primeira Taça de Portugal do clube, no Estádio do Jamor. Na sua memória e na de muitos outros bracarenses está o golo do argentino Miguel Perrichon, perto do fim do encontro com o Vitória FC.

Tantos anos a acompanhar o SC Braga fazem com que Melinha já tenha visto passar pela cidade dos Arcebispos vários treinadores e atletas. Valoriza o trabalho realizado por Domingos Paciência e por Leonardo Jardim no banco arsenalista e prefere não destacar nenhum jogador, que, de forma geral, “têm sido todos bons”.

Contudo, se dentro do campo, Melinha não tem “razões de queixa” dos atletas, o mesmo não se pode dizer da sua pouca recetividade em lhe oferecerem camisolas de jogo. “Tenho uma do Nuno Gomes, ainda hoje a usei. Foi ele que me deu, em Birmingham, sem eu lhe pedir”, relembra, destacando a excecionalidade da situação.

O segundo lugar no campeonato, a chegada à final da Liga Europa e as conquistas da Taça da Liga e da Taça de Portugal comprovam o crescimento que o SC Braga tem tido nos últimos anos no futebol nacional e internacional. Para Melinha, a explicação para este sucesso tem um nome: António Salvador. “Se não fosse ele, estávamos na segunda divisão. Podem dizer o que quiserem, mas é um grande presidente. Nas próximas eleições, eu estarei viva para votar nele”.

A fama que foi conquistando ao longo dos anos não se resume só aos recintos desportivos – também costuma acompanhar outras modalidades do clube –, já que se tornou um símbolo da própria cidade de Braga. As demonstrações de carinho e respeito que sente na rua, tanto por parte de crianças como de adultos, são uma realidade à qual já se habituou.

Apesar de as expectativas para a presente temporada não serem propriamente altas – acredita que o conjunto minhoto vai manter o quarto posto da Liga NOS até ao fim do campeonato –, Melinha ainda tem alguns desejos a cumprir. A adepta octogenária, que já esteve com personalidades como Vladimir Putin e Mohamed Al-Fayed e que chegou a ser confundida com a Rainha de Inglaterra, Isabel II, assume ainda o sonho de ver o seu Braga campeão nacional antes de falecer.

 

Imagem e edição: Sofia Summavielle