Chama-me pelo teu nome tem como cenário a Itália nos anos 80. O protagonista é Elio, um adolescente que está a passar as férias de verão na villa dos pais, entretendo-se a tocar música clássica e a tomar banhos no rio. Quando chega Oliver, um americano que vem ajudar o pai de Ellio num projecto de arqueologia, a química entre o novo hóspede da villa e o adolescente vai-se tornando evidente, à medida que o tempo passa e a história cresce.

É um retrato de primeiro amor, de paixão de verão.

O tema não é novo: não passa do típico romance de descoberta sexual e amorosa na adolescência. O motivo pela qual a história se demarca é pela forma como é contada. Salva-se do cliché pela inovação nas personagens coadjuvantes e por estas interagirem tão bem na tela. A performance dos atores é de facto forte. A conexão entre os protagonistas não foi apressada, tendo o realizador tomado o seu tempo na construção de várias cenas para que a mesma se tornasse credível.

No entanto, não posso ignorar a disparidade na construção dos protagonistas. Elio é uma personagem com dimensão psicológica, que se é dada a conhecer e que nos permite entendê-lo melhor enquanto agente. Já o seu par, Oliver, está mal construído, pouco sabemos dele, de onde veio, das suas vivências, do que o move ou motiva. Falta-lhe uma backstory que lhe confira algum grau de informação de que obviamente laca.

A nível de diálogos, surpreendentemente, os melhores são atribuídos ao pai, Michael Stuhlbarg. É ele que produz os melhores discursos na história. De notar particularmente o monólogo final, em que fala da aceitação da homossexualidade e confessa a sua própria ausência de coragem em viver o que realmente sentia na juventude, para envelhecer conformado com as expectativas da sociedade.

Quanto a tempo e espaço, estes foram bem escolhidos para contar a história. Os cenários de Itália são de grande beleza estética. As duas línguas faladas na narrativa conferem dimensão e o verão traz nostalgia, juntamente com o vestuário à anos 80, possuidor do seu próprio charme.

A nível de realização, as mensagens são entregues através de cenas construídas com grande inteligência. A sensualidade não é exposta visualmente de maneira óbvia, nem há ostentação direta. As imagens de desejo são contadas de forma inovadora, em esculturas greco-romanas e numa das cenas mais faladas do filme, que envolve a masturbação com um pêssego.

As três nomeações para os Óscares – “Melhor Filme”, “Melhor Ator” e “Melhor Roteiro Adaptado” – estão bem atribuídas e a primeira corre mesmo o risco de ser ganha por Chama-me pelo teu nome. Este filme facilmente se tornará um clássico.