Vitor Silva subiu ao palco principal do Theatro Circo, num concerto caracterizado pelo bom humor e por uma sala pouco preenchida.

O Theatro Circo foi, no passado sábado, palco de uma experiência cultural diferente, proporcionada por Vitor Rua & The Metaphysical Angels. O grupo apresentou o seu álbum duplo “Do Androids Dream of Electric Guitars?”, lançado em 2017.

Simão Carvalho/ComUM

Explorar novas soluções tem sido o principio norteador da atividade de Vitor Rua. O músico fundou o conhecido grupo de rock luso GNR durante os anos 80, e a partir de 1982 juntou-se a Jorge Lima Barreto, nos Telectu.

“O Vitor é uma das maiores figuras da música experimental em Portugal e é uma vergonha a sala estar tão vazia. Aqui se vê a cultura musical e o desinteresse da comunidade de Braga” conta Paulo Bastos, colega e professor de música. Vitor Rua brindou a plateia, despida mas amante de jazz, com um ambiente sonoro que se estendeu pelo free jazz, eletrónica, punk, trash, minimalista e muito mais.

Durante todo o espetáculo, Rua deu-nos conta de conceitos que caracterizam o álbum, bem como cada faixa e os motivos que a inspiram. Tendo em conta a singularidade da música por ele produzida, caracteriza-a como “música não-idiomática” que, no fundo, acaba por se tornar num novo idioma: característica esta que motivou um novo estilo de música intitulado de “Improvisação Meta-Idiomática”.

Caracterizada por uma experiência cultural bastante diferente, a atuação de Vitor Rua ficou também marcada pela boa disposição e sentido de humor, onde Vitor confessou que a primeira faixa, “The Amazing Worm” (significa, em português, “O Primeiro Morcão”) e foi dedicada ao Cavaco Silva. Também afirmou que ainda acha extraordinário o facto de existirem pessoas a pagar para se “ouvir música assim”, quando se podem fazer downloads na internet.

À parte do jazz não-idiomático e do humor no intervalo de cada faixa, Vitor presenteou a plateia com uma metáfora que, a seu ver, define a paixão pela música, seja ela como for: “O problema não está nas ferramentas, está no uso que fazemos delas, basta sermos felizes e fazer bom uso dos instrumentos para que se produza música incrível”.

Já a terminar o espetáculo, e porque a banalidade não faz parte do mesmo, Vitor Rua, em conjunto com os seus parceiros, acaba com uma improvisação alusiva ao carnaval, tocada com os pés.