O músico indiano estreou a sua tour, "Hawaii to Calcutta: A tribute to Tau Moe", no palco do Theatro Circo.

“Boa noite e namaste”. Foram estas as primeiras palavras de Debashish Bhattacharya quando pisou o palco do Theatro Circo esta sexta-feira à noite. Depois de uma viagem de 29 horas, desde a Índia até Lisboa, o primeiro concerto da tour “Hawaii to Calcutta: A tribute to Tau Moe” arrancou em Braga.

Debashish Bhattacharya

Inês Lopes/ ComUM

Com uma plataforma no centro do palco e várias luzes a incidir sobre ela, Debashish e o seu músico convidado, tomaram lugar e sentaram-se de pernas cruzadas sobre as várias almofadas que lá se encontravam. Debashish dirigiu umas quantas palavras ao público bracarense, agradecendo a sua presença e dizendo que “tudo aqui é tão feliz”. De seguida, explicou o conceito do estilo de música que estaríamos prestes a ouvir, o raga. Para ele é um estilo musical que vem do som e das frequências da natureza, que tem como propósito encontrar a paz.

Os primeiros 30 minutos passaram-se com compassos mais lentos e, gradualmente, sentiu-se a viagem a que Debashish nos propôs pela Índia. Ao fim destes minutos iniciais, deu-se uma explosão de sons, com o músico convidado a entrar em cena, introduzindo precursão na atuação. A felicidade e satisfação por aquilo que estavam a fazer era notória na cara dos músicos, assim como a total concentração e entrega. De notar que era a primeira vez que estavam a tocar juntos.

“Como estão? Querem ouvir mais?”, disse Debashish depois de mais de 20 minutos a tocar sem interrupções, a um ritmo estonteante. O público estava fascinado com a qualidade musical que pisava o Theatro Circo, e foi com muita admiração que reagiu quando Debashish virou para a plateia a sua guitarra de 24 cordas, apelidada de “chaturangui”, uma “slide-guitar”, criada pelo próprio: “tenho 40 anos de carreira, e toco “chaturangui” há 50, e todos os dias ela me ensina algo novo…”.

Debashish Bhattacharya

Inês Lopes/ ComUM

Depois destas palavras, trocou de guitarra: o resto do concerto seria ao som da “anandi”, uma “slide-ukulele”. Toca umas cordas e acordes soltos, e pede a Francisco, técnico de som, mais “reverb”. “Nunca toco as músicas que se vão seguir até ao fim… Há muitas músicas no mundo e pouco tempo para as tocar na totalidade. Mas se me derem um passaporte português, eu fico pelas ruas de Braga indefinidamente a tocar para vocês!”.

O público pareceu gostar desta ideia e aplaudiu de imediato, de forma demorada. “Nós adoramos-vos!” exclamou Debashish. Mal o aplauso acabou, os músicos voltaram à atuação e a viagem pelo mundo continuou, sem nunca se sair da sala principal do Theatro Circo.

“É tudo o que tenho para vocês!” disse em jeito de concluir o concerto. Mas o público pediu mais. “Não têm de trabalhar amanhã? Nem mais planos para esta noite? Olhem que uma vez dei um concerto de 7 horas, se pedirem muito ninguém sabe a que horas saímos daqui” gracejou.

No final, o público levantou-se a aplaudir, e os músicos, juntando as mãos ao centro do peito, fizeram uma longa vénia de agradecimento ao público do Circo.