“Uma Viagem pelo Cinema Americano”, apresentado no passado sábado, surge na sequência de um ciclo de cinema americano organizado pela Lucky Star, cineclube de Braga.

No passado sábado, a A.23 Edições apresentou o livro “Uma Viagem pelo Cinema Americano”, da autoria de João Palhares e de José Oliveira, na Livraria Centésima Página, em Braga. Na sessão participaram os autores, bem como o ator José Lopes e Mário Fernandes, coordenador dos “Encontros Cinematográficos”. Houve também um pequeno concerto alusivo a temas de cinema.

Uma Viagem Pelo Cinema Americano

Cátia Barros/ComUM

O livro é uma compilação das folhas de sala preparadas para acompanhar as sessões do ciclo de cinema americano organizado pelo Lucky Star, cineclube de Braga, em 2016 e 2017. O livro também conta com textos de outras sessões organizadas pelo clube no mesmo período. A editora considera a obra como parte de uma coleção literária sobre cinema.

Para Mário Fernandes, os textos fogem das características da escrita do circulo académico ou de crítica de cinema, considerados por si elementos dominantes na literatura sobre esta arte. O coordenador afirmou que a publicação do livro é um reconhecimento da programação característica do ciclo de cinema da Lucky Star, organizado sem grandes apoios e que contou com convidados de variada relevância no campo do cinema português.

José Lopes reforçou a ideia de uma “programação de qualidade invejável”, contando que o ciclo o reenviou para o tempo em que os cineclubes eram mais populares, também porque poucas pessoas tinham televisão em casa. O ator afirmou que o ciclo foi “um serviço público de cultura” organizado com poucos fundos, sendo assim “uma lição para a malta de Lisboa”. Por fim, reforçou a importância do livro enquanto registo cultural, que permitirá a eventuais leitores um maior conhecimento sobre os filmes e os realizadores neste retratados.

O realizador José Oliveira partilhou do sentimento, pretendendo que o livro de sua coautoria sirva como “uma porta de entrada para o cinema americano e para o cineclube”. O coautor João Palhares explicou como o cinema americano foi escolhido para tema de um ciclo de cinema. O seu caráter humanista, na medida em que os filmes exibidos eram dominados pela representação de sentimentos humanos, justifica a escolha.

Uma Viagem Pelo Cinema Americano

Cátia Barros/ComUM

Após os últimos agradecimentos, João Palhares acompanhou ao piano a cantora Marta Ramos num pequeno concerto alusivo a canções de cinema. O primeiro tema foi “Johnny Guitar”, canção incluída no filme homónimo de Nicholas Ray. A seguir ouviu-se “Smile”, parte da banda sonora de “Tempos Modernos” de Charlie Chaplin, embora a letra de John Turner e Geoffrey Parsons tenha apenas surgido anos depois da sua estreia. Entretanto houve uma pequena fuga para a arte francesa, com a canção “India Song”, da também atriz e realizadora Jeanne Moureau.

O género western dominou a sessão musical, com três das cinco canções presentes numa atuação cândida, sem procura por efeitos adicionais além da voz e do piano. A tarde concluiu-se com “River of No Return”, do filme de Otto Preminger, e com “My Rifle, My Pony and Me”, canção incluída no filme “Rio Bravo” de Howard Hawks. Na despedida, uma voz proferiu da plateia: “Vamos ao cinema”.