Conan Osiris é a mais recente sensação no panorama alternativo em Portugal. Tem três álbuns editados e é mais um fenómeno que saiu da internet.

Com uma veloz ascensão, o artista ganhou importância mediática com o lançamento de “Adoro Bolos”, último álbum que comprova que, na música, ainda existe caminho por desbravar. Na noite de sexta-feira, o Theatro Circo esgotou o pequeno auditório num concerto marcante tanto para o público, como para o compositor, produtor e autor que se diz “100 paciência”.

Explicar o que é Conan Osiris é uma tarefa difícil. A abrir o concerto – logo depois das longas palmas e assobios por parte de uma plateia sedenta de ver o futuro a acontecer – é retratada a portugalidade da tradição oral, como se de um vídeo do projeto “Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” se tratasse. Um homem que engoliu tudo o que se fez em Portugal nas últimas décadas e despejou em música é talvez a melhor definição para Tiago Miranda – pessoa que encarna Conan Osiris. Desde o vira minhoto, ao fado, passando pelo hip-hop, eletrónica, até sons ciganos e árabes cabem dentro da musicalidade do artista de 29 anos.

Este concerto no Theatro Circo foi o primeiro espetáculo exclusivamente de Conan Osiris. Até então, o músico lisboeta fez primeiras partes de atuações de outros projetos musicais. Por isso, a noite de sexta-feira tornou-se ainda mais especial. Com uma camisola desportiva da década de 1980, mal pisou o palco, agarrou o público e não mais o largou. Com “Borrego”, tema que inaugura um dos álbuns que – segundo a crítica especializada – vai marcar 2018, o público “levantou o rabo das cadeiras” e só se voltou a sentar quando Conan determinou. Uma orquestração ditada pelo humor, com sorrisos intermináveis e movimentos indefinidos – tal como os paços de dança de João Reis Moreira, bailarino que acompanha Tiago Miranda em palco.

“Isto é melhor ou não que no CD”, perguntou Osiris, que teve uma pronta resposta positiva do público. A verdade é que a intensidade impregnada pela dupla, que tanto ocupou o palco, como a plateia – uma simbiose que não combina com o facto de apenas ser o primeiro concerto em nome próprio –, fez com que os sons e letras dos álbuns ganhassem uma colossal proporção.

Todos os temas de “Adoro Bolos” foram interpretados neste concerto. Até houve lugar para uma “versão lunar” de “Ein Engel”. Segundo Conan, “a outra [versão] era muito heavy metal”. O tema que dá título ao último trabalho levou grande parte da plateia a cantá-lo, assim como “Celulitite”, uma canção que diz: “tu não tens celulite / tens celulitite: mania que tem celulite”.

Conan Osiris tem três álbuns editados. Apesar do mais recente ter sido a chave para a ribalta, os fãs não esquecem os anteriores. No encore do concerto, Tiago Miranda satisfez o pedido do público e interpretou “Amalia”, música do álbum de 2014. Sempre com os movimentos de João Reis Moreira, Conan Osiris lembrou: “não se esqueçam que são sempre vocês antes de mim”.