Mais uma banda, mais um trabalho da casa. Os Imploding Stars levaram “Riverine”, segundo álbum do quinteto, ontem, à BlackBox do gnration.

Primeiro, sons suaves de interferência que em crescendo preenchiam a sala escura. Depois, o baixo e as guitarras juntam-se, um a um, à harmonia. Os pratos da bateria aparecem mais para o fim. A atmosfera está criada. Começou o concerto dos Imploding Stars, começou a viagem por “Riverine”.

Imploding Stars

Sofia Summavielle/ComUM

O quinteto bracarense, composto pelas guitarras de Francisco Carvalho, Rafael Lemos, e Jorge Cruz, pelo baixo de João Figueiredo e pela bateria de Élio Mateus, lançou o segundo álbum, “Riverine” na passada sexta-feira, dia 18. No dia seguinte, apresentaram, ao vivo, o seu “trabalho da casa”. A Blackbox do gnration encheu para ouvir a banda tocar, na totalidade e por ordem, todo o alinhamento do novo projeto. “É tão bom ter tanta gente aqui”, referiu Francisco Carvalho, com um sorriso tímido perante a sala bem preenchida.

“Riverine é um disco sobre o ciclo da vida humana. Algumas fases que já passaram, outras que estão para vir. Fechem os olhos e deixem-se ir”. E o público fechou os olhos e deixou-se ir. As músicas falavam bem alto à sala escura. Nas partes mais calmas das canções, o público ondulava a cabeça e o corpo, enquanto dançava com os sons. Quando a banda implodia em força e os sons rebentavam, o público rebentava com eles.

Atrás da banda, cortinas plásticas escuras serviam de tela para as projeções audiovisuais realizadas por alunos do Mestrado em Belas Artes da Universidade do Porto. As imagens ilustravam o ciclo da vida e davam uma imagem à viagem sonora que se ouvia em palco.

Quando “Demise” acabou e a morte chegou, Francisco voltou a falar ao público. “A próxima canção é a última do disco e a última do concerto. É sobre o que vem depois da morte. Para nós é só uma forma de lidar com algo que não conhecemos. Um abraço apertado para vocês”.

“Rebirth” começou do silêncio. Na frente, isqueiros acesos por elementos do público iluminavam a Blackbox. Mas não tardou até a banda rebentar. No fim, as estrelas acabam numa grande implosão. As réplicas passam para as pessoas na plateia. Ninguém parou de dançar ao som explosivo dos Imploding Stars.

Um a um pousaram os instrumentos à medida que a explosão ia cessando. Com uma grande salva de palmas, o público agradecia à banda. O quinteto retirou-se, mas não ficaram longe do palco por muito tempo.

O público pedia mais canções. E os Imploding Stars agraciaram. Voltaram a palco e tocaram mais uma canção do disco anterior, mas numa afinação diferente. “Mas não há de ser nada”, brincou Francisco. E não foi mesmo nada. O público, mesmo com a afinação diferente, manteve-se bastante responsivo ao som da banda. No fim houve ainda tempo para cantar os parabéns ao baterista Élio Mateus.

Na despedida, uma grande salva de palmas agradecia à banda, que se retirou com uma vénia e um sorriso na cara que se espelhava nas faces dos presentes.