O Braga Sounds Better (BSB) dedicou a segunda noite do festival ao hip-hop português e ao techno, levando todos ao rubro pela noite dentro.

Depois da sua estreia, o BSB continuou a sua caminhada este sábado. Fuse encheu o recinto e levou o público ao êxtase. O alemão Lutzenkirchen e o italiano Roberto Capuano eram dos artistas mais esperados e não deixaram ninguém parado.

“É preciso sentir a música”, diz Fuse, artista de hip-hop. O concerto ficou marcado pela interação do músico com o público, cantando em uníssono as letras das canções e abanando a cabeça e o corpo para seguirem o ritmo. O artista portuense mostrou valorizar o poder das palavras e trouxe Dealema até ao palco principal, ouvindo-se músicas como “Sala 101”, “Família Malícia” e “Nada Dura Para Sempre”. Ao longo do espetáculo, Fuse deixou algumas notas de valorização pessoal. “Vocês são sempre muito mais do que aquilo que pensam e mostram”, disse. “Mais uma!”, fez-se ouvir na plateia, no final do concerto. Mas isso não aconteceu. O músico preferiu ocupar o resto do seu tempo em palco a contar parte da história da sua vida, dizendo que escrevia rimas sozinho no quarto e que “ninguém acreditava realmente” nas suas capacidades. Hoje, inspira milhares e ensina escrita criativa a pessoas com necessidades especiais. Aplausos fizeram-se ouvir e, pela reação do público, o concerto surpreendeu.

Lutzenkirchen mostrou o que tinha para dar, sozinho em palco apenas com um computador. O público começou tímido, mas o poder da música era tão intenso que foi impossível não se mexerem. Era uma verdadeira discoteca ao ar livre. Houve quem dançasse sozinho ou acompanhado, de olhos abertos ou olhos fechados, com danças completamente diferentes, mas, independentemente disso, todos aproveitaram o momento à sua maneira. A dada altura, já era mesmo impossível parar. O artista alemão trouxe techno até ao território bracarense.

Um outro artista esperado era o italiano Roberto Capuano, o último a atuar neste dia de festival. Apesar de Lutzenkirchen ter atuado anteriormente, o cansaço não se instalou nos presentes. Na noite de ontem não faltaram doses de techno. Roberto Capuano divertiu o público com este género musical, tal como os artistas Alemaozuk e Double C.

O hip-hop esteve mais uma vez no palco com Ângela Polícia. Estavam dois artistas em palco, mas um deles marcou mais presença logo no início. Com capuz na cabeça, o músico fechou os olhos e fechou o microfone com as mãos, sentindo toda a música. Depois de alguns temas cantados, juntou-se mais uma pessoa. Os artistas andavam pelo palco e mostraram cumplicidade na sua performance. Mais para o fim, a atuação parecia uma batalha entre eles. Cada um berrava a música ao microfone e tentava mostrar a sua posição, enfrentando o outro, como se de uma guerra se tratasse. O público ficou contagiado com a energia do grupo, não descolando os olhos do palco onde tudo acontecia. “O Outro Lado” foi uma das músicas ouvidas.

O segundo dia abriu com Sombra, uma banda bracarense que faz músicas sobre Braga. Os três artistas com óculos de sol trouxeram o hip-hop para o palco. Os músicos mostraram uma energia inesgotável e, neste concerto, headbanging não faltou. “Eu quero ver-vos a abanar, corpos a dançar”, disse um dos artistas. “Não Deve Não Tema” foi uma das canções ouvidas.

Durante a tarde de sábado, pelo palco Highdreams passaram Higgla com reggae, DJ Jota com hip-hop, O. Jay Oliver e Luigi Del Niro com tech-House e R-Tec com trap. O festival encerra hoje com variadas atuações no palco Highdreams, com a presença de artistas como Pé Roto e Terpsycora.