O conceito das Lazy Sessions passou do Porto para Braga, e trouxe um rock que soube relaxar nas sombras do Parque de Guadalupe.

Começaram no passado sábado as Lazy Sessions Guadalupe. A iniciativa, que já se realizava no Porto, no Jardim das Virtudes, passou agora também para Braga, para o Parque de Guadalupe. A primeira de três tardes, com música a acalmar quem passar pelo parque, contou com as bandas bracarenses Dead Men Talking e FERE, sob a curadoria de Adolfo Luxúria Canibal.

Lazy Sessions

Hélio Carvalho/ComUM

Chegamos ao Parque de Guadalupe, bem no cimo do centro de Braga. Um refúgio algo escondido e desconhecido. Estão espreguiçadeiras montadas, um bar e alguns pufes. Adolfo Luxúria Canibal, o vocalista dos Mão Morta, está de auriculares nos ouvidos a colocar música ambiente. Não é a típica música relaxante, não há um acústico relaxante ou um “jazz de elevador”.

O ar é recheado de rock algo grunge. O recinto começa a preencher-se, com muitas famílias a passear com as crianças em carrinhos. Muitos dos pais, esses, têm vestidas camisolas de bandas metal. É um ambiente relaxante bem diferente do habitual, mas que não foge do desafio proposto pela organização aos próprios artistas.

(Pode ler a reportagem de antecipação às Lazy Sessions Guadalupe aqui)

Entram em palco os Dead Men Talking por volta das 16h. A voz cheia de eco, a bateria bem forte e a guitarra a manter os tons graves, tomam conta do parque. Há muita gente a abanar a cabeça, mesmo em cima das espreguiçadeiras e das toalhas de piquenique.

Lazy Sessions

Hélio Carvalho/ComUM

A música continuou mais tarde com os FERE, que trouxeram o seu rock instrumental a uma tarde de muito calor e de sombras todas ocupadas. Das casas ao lado, as senhoras mais idosas queixavam-se do barulho. Mas no parque, havia gente de olhos fechados nas camas de rede, a ouvir a música.

Olhando para o parque bem repleto de pessoas e famílias, Rui Miguel Silva mostrou-se contente com a afluência para a primeira Lazy Session que Braga acolheu, mas reconheceu que a tarefa “para o primeiro dia da primeira edição não foi fácil”. Mas tal como já tinha dito em entrevista ao ComUM, o organizador nunca se mostrou preocupado com a adesão da população bracarense.

“Nós não queremos impor um evento, queremos que ela cresça com as pessoas e com a cidade. Este ano vamos ter as três sessões; se tudo correr bem, para o ano temos mais e acho que aí as Lazy Sessions se solidificam melhor”, diz Rui Miguel Silva.

Outro objectivo da organização era também dar a conhecer um espaço que consideram como desconhecido: o Parque de Guadalupe, situado perto da Universidade Católica de Braga. No Porto, as Lazy Sessions aumentaram o público que passou a ir ao Jardim das Virtudes, um espaço com vista para o Douro e algo recatado. Em Braga, Rui Miguel Silva aponta um balanço imediato. “Toda a gente aqui de Braga que eu conheço dizem que não conheciam este espaço. Além de estarem a gostar e dizerem que é um fim de tarde relaxado, não sabiam da existência deste parque”.

Rui Miguel Silva finaliza este primeiro dia de Lazy Sessions com uma expressão: “objetivo cumprido”. Depois da curadoria de Adolfo Luxúria Canibal, restam assim as curadorias de Branko e Manel Cruz.

A próxima será no dia 23, com Branko a encabeçar um dia dedicado ao dia e de São João. Há concertos de bandas como os Quadra e Dona Carioca das 16h às 20h, e a noite continua da meia-noite às 4h da manhã com mais música.