Apesar de consistir num bom retorno de Christina Aguilera ao ativo, Liberation deixa dúvidas sobre as verdadeiras intenções da artista. Desde temas íntimos da vida da artista ao empoderamento das pessoas, as músicas tipicamente Pop que integram Liberation possuem conteúdo para todos os gostos.

Após seis anos sem o lançamento de um novo álbum, é normal que as gerações mais recentes não reconheçam uma das mais potentes vozes do mundo Pop, Christina Aguilera. A artista marcou os anos 2000, com inúmeros hits como Beautiful”, “The Voice Within” e “Fighter”. Apesar de alguns dos projetos da cantora se basearem demasiado em estilos mais mainstream, a grande maioria foca-se no empoderamento das pessoas, em diferentes áreas da vida.

Fonte: rcarecords.com/artist/christina-aguilera/

Liberation, lançado a 15 de junho, não falha esse propósito. O projeto conta com a participação de vários artistas, nomeadamente Demi Lovato, Ty Dolla $ign e 2 Chainz, o que resulta num conglomerado de diferentes géneros musicais, como Pop, Rock, Soul, entre outros.

“Maria”, a terceira música do álbum, remete-nos para o segundo nome da artista e para uma referência ao musical “The Sound of Music”, onde Christina Aguilera compara a sua vida pessoal com a da personagem principal. A cantora centra-se nas dificuldades que ambas encontram na definição de quem realmente são – “When did I turn so cold” – e na própria falta de liberdade atribuída às mesmas – “Mouth open but can’t speak”.

Opondo-se a esta realidade e estando farta do sistema convencional, Christina apresenta-nos “Sick of Sitting”, canção inspirada na mensagem de Janis Joplin, onde a artista demonstra a sua revolta e encoraja todos a viver em plenitude. Contudo, pode também ser uma referência à experiência da cantora na temporada passada do programa The Voice, que consistiu num desafio extremamente cansativo e trabalhoso – “It’s good pay, but it’s slavery”.

Em “Masochist”, Christina Aguilera visita um dos fantasmas do seu passado, uma relação tóxica, que já havia sido mencionada em “Walk away”, de 2002. O aspeto mais apreciado em ambas as canções é o facto de tocarem no assunto da forma como a maioria das pessoas lidaria com o mesmo. Ou seja, ter consciência do mal que a pessoa nos provoca e mesmo assim não ser capaz de abandonar esse relacionamento – “And even though it’s so obvious/ That all you give me is pain/ I must be some kind of masochist”.

Embora a diversidade dos estilos musicais contribua para que o projeto atinja públicos distintos, isto também suscita a dúvida se, de facto, esta combinação resulta como um todo. Entre muitas outras músicas repletas de mensagens e significados, como “Fall In Line” e “Deserve”, encontramos as faixas “Right Moves” (com Keida & Shenseea), “Pipe” (com XNDA) e “Accelerate” (com Ty Dolla $ign & 2 Chainz).

Estas típicas músicas Pop, feitas para agradar várias audiências, fazem com que muitos dos seguidores da cantora questionem as verdadeiras intenções do lançamento do álbum. De acordo com a artista, “A inspiração para este álbum (…) foi o retorno à criança que quer ser inspirada novamente pela verdade e pela paixão da música”. Porém, se prestarmos atenção a todas as músicas de Liberation, iremos compreender que este projeto tenta transmitir várias mensagens de empoderamento, enquanto também se foca no alcance de lucro.

Assim, este disco consiste num hit and miss. Embora transpareça e humanize a realidade oculta da vida da artista, Liberation também é capaz de desvalorizar o poder vocal e as intenções de Christina Aguilera.