The Kooks lançam um álbum que em nada nos surpreende, mas que em pouco nos desilude. Com temas que nos deixam a lembrar o verão, e outros que não gostaríamos de ouvir nem no inverno, conseguiram compor uma coletânea de músicas capaz de nos deixar confusos do início ao fim.

A banda britânica apresenta-nos o seu quinto álbum, Let’s Go Sunshine, lançado a 31 de agosto. Este projeto contém uma onda mais Rock e menos Indie, em comparação a trabalhos anteriores. O disco contém 15 canções que demonstram elementos conhecidos e que se interligam umas às outras. Porém, todo o projeto nos transmite uma certa vibe de que estamos a ouvir faixas que foram criadas de uma forma que não exigiu grande esforço melódico ou harmónico.

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É certo que a banda não nos habituou a tais progressões harmónicas e melódicas no passado, mas, após cinco discos, era de esperar que alguma inovação surgisse das mentes criadoras dos hits “Naïve” e “She Moves In Her Own Way”. Por outro lado, se esta falta de criatividade é desilusão para alguns, é a felicidade e ânsia de outros, já que a banda se manteve minimamente fiel ao registo que tem transmitido.

O projeto inicia-se com uma pequena introdução acapella, que resulta de um looping da parte final da última faixa do disco. Assim, as primeiras e últimas palavras que ouvimos no álbum são “We’re just having a good time, honey. No need to aply no pressure”.

Talvez como referência a uma das covers mais bem-sucedidas da banda, ou apenas ironia do destino, a segunda faixa é “Kids”. A canção, que em nada se assemelha ao cover, fala-nos de como o Reino Unido está, na perspetiva do cantor, em crise social. A rouquidão já conhecida na voz de Luke Pritchard transmite inquietação, principalmente quando canta “Good England thrown to the wolves”. Porém, ao longo do refrão, vamos ouvindo coros básicos que pouco acrescentam à música.

A canção que se segue, “All The Time”, cria uma esperança de que o resto do álbum se vá tornar mais catchy e mais bonito do que na verdade é. O pequeno riff introdutório, parecido com o do início da icónica canção “Blackbird” dos Beatles, aliado à voz de Luke, faz com que sintamos harmonia, principalmente devido ao pré-refrão muito bem feito. A letra, apesar de não fazer jus à harmonia e à melodia, é de fácil compreensão, uma típica música que suplica ao ouvinte “I want you, all the time”.

O que se segue não é nada de novo, muito menos de impressionante. Nas faixas “Believe”, “Fractured and Dazed” e “Chicken Bone”, a banda toca em assuntos mais amorosos, decidindo cantar os desgostos de amor, tanto do lado deles, como do outro lado da moeda. Fizeram-no relativamente bem, mas poderiam ter pedido uma ligeira inspiração à musa Vénus, pelo menos na letra.

Em ”Chicken Bone”, o quarto e quinto versos deixam muito a desejar na composição. “I don’t mean to be jealous./ But I’ve seen you with fellas”. O uso de rimas básicas e escrita corrente pode ter sido intencional? Sim, até pode ter sido, mas são estes fatores que contribuem para a decadência progressiva deste projeto.

A sétima faixa do álbum, “Four Leaf Clover” só nos consolida a ideia de que The Kooks e músicas românticas não são uma combinação de outro mundo. Isto, mais uma vez, por causa da letra demasiado simplista desta faixa.

A meio do projeto, temos “Tesco Disco”, um dos temas mais inovadores do álbum. A bateria de Peter Denton é uma lufada de ar fresco nesta monotonia de ritmos, enquanto a voz do vocalista sofre alguns efeitos que combinam muito bem com o registo das batidas. Para além da frescura da bateria, temos uma certa quebra na construção da música, já que a progressão melódica e harmónica não é tão enfadonha como nas canções anteriores. Uma característica engraçada desta faixa, que lhe dá um toque ainda mais caricato, é que acaba com o riff com o qual começou.

As seguintes faixas, nomeadamente “Honey Bee”, “Pamela”, “Picture Frame” e “Swing Low”, deixam muito a desejar. A primeira referida é mais do mesmo, apesar de ter um registo mais acústico. A segunda aponta para um registo mais Punk Rock, que é explicado pela métrica e ligeira distorção da guitarra. A terceira, apesar do apontamento de violino, não consegue corresponder às expectativas que este instrumento se propõe a trazer. Por sua vez, a quarta canção fica muito aquém do que a banda podia ter criado.

Se a banda cria temas que valem a pena ser retirados das nossas playlists, também cria temas que merecem ficar. É o caso de “Initials for Gainsbourg”, que surpreende pela sua capacidade de storytelling e de relação com os ouvintes e, também, por um registo mais Pop Rock que contrasta muito bem com o coro de crianças no refrão. A letra da música alude às personagens Bonnie e Clyde, de uma forma inteligente, mas simples. Ao contrário de músicas como “Chicken Bone”, este tema trata o amor como um impulso ao qual temos que obedecer. De que nada importa andarmos a roubar bancos, se os roubarmos e fugirmos com a pessoa que amamos. Por isso se torna aliciante seguir este apelo que a banda nos faz.

A penúltima música, “Weight of the World”, começa com um som de teclas que remete o nosso cérebro a uma música de Elton John. Este é um tema mais ambicioso, elaborado e pensado, que é muito agradável ao ouvido, sendo que o solo de trompa foi dos elementos mais inovadores de todo o álbum. Sem sombra de dúvida, esta é uma das melhores músicas de Let’s Go Sunshine, tanto pela composição harmónica, como pela letra.

A última faixa, “No Pressure”, é o mote para o início do projeto. É engraçada a forma como eles terminam sem pressões, sem expectativas e, enfim, sem grandes rodeios. É um tema muito leve, muito “fim de verão”.

Em suma, Let’s Go Sunshine é um álbum que nos traz sentimentos contraditórios. Por um lado, era de esperar que a banda inovasse e que chamasse ouvintes que não os seus seguidores assíduos. Por outro, este projeto transmite uma certa segurança que só eles nos conseguem dar.