A história de “10 coisas que odeio em ti”, inspirada na comédia “A megera domada” de William Shakespeare, é trazida para os cinemas no ano de 1999. Um filme carregado de romance e comédia.

10 coisas que odeio em ti

À primeira vista não parece inovar em muito. Conta a cliché história de um romance entre duas personagens que antes mantinham um certo desprezo uma pelo outra, mas que no final acabam por se apaixonar – o que tem muito de previsível. Por essa razão, tinha tudo para ser mais uma aborrecida história de amor e, no entanto, algumas das escolhas do realizador Gil Junger funcionam na perfeição.

O filme envolve duas irmãs de Seattle que não podiam ser mais diferentes. A mais nova, Bianca Stratford, é a típica menininha que sonha encontrar o amor e é conhecida em todo o liceu. Ao contrário dela, a irmã mais velha e protagonista do filme, Kat, pouco tem de popular e prefere ser conhecida pela sua inteligência e ar misterioso, que chega a ser intimidante.

10 coisas que odeio em ti

A narrativa desenrola-se em torno do baile que irá acontecer no liceu das duas irmãs e sobre a questão de quem vai conseguir acompanhar Bianca. Há dois rapazes que têm intenção de a convidar, contudo ela só pode sair com algum deles, quando a irmã mais velha namorar também. Isto significa que quem a quer convidar, precisa de arranjar uma maneira de convencer Kat a ir ao baile.

A solução adotada foi pagar a Patrick, o rapaz mais charmoso e rebelde de todo o liceu, para convencer a dita a ser o seu par para o baile, o que não seria uma tarefa fácil. Ele tenta de tudo, até mesmo cantar em frente a toda a escola, e Kat acaba por aceitar, ora por se ter cansado dos seus pedidos, ora por não resistir ao charme de Patrick, talvez um pouco de ambos.

10 coisas que odeio em ti

A personalidade dos dois é bastante parecida, o que faz com que choquem imenso, sobretudo nos momentos em que Patrick tenta conquistar Kat. Essas cenas, cómicas e amorosas, fazem valer o filme. Depois de aceite o convite, as personagens começam a passar mais tempo juntas até se apaixonarem. Ao contrário do que seria expectável, o romance entre os dois não é a típica história que aborrece. Por ter nascido no meio de problemas, e pela personalidade forte que as duas personagens apresentam, sobrevive a clichés. Não é, portanto, um amor lamechas, onde tudo corre bem. Espelha a realidade e não uma paixão de conto de fadas.

Mas nem tudo no filme, incluindo no romance entre as duas personagens principais, merece elogios. Existem outros momentos e elementos da obra que simplesmente não funcionam. Um dos problemas  é o facto de haver uma mudança muito radical e rápida nas personagens. Essa transformação só seria bem conseguida se lhe fosse dada o devido tempo. Quando isto acontece num filme o público sente o impacto e acaba por fazer toda uma construção da personagem que depois é destruída apenas para que haja um final feliz. Uma solução para este problema seria não dedicar tanto tempo a introduzir as personagens e focar a questão central da história.

10 coisas que odeio em ti

É importante voltar a atenção para os atores que, de facto, conseguiram realizar uma performance muito boa. Até as personagens secundárias, ainda que não tão completas, são construções com que nos conseguimos identificar e divertir imenso. Seria impossível não destacar o pai das duas irmãs, que é para mim a personagem mais cómica de todo o filme, já que o seu lado extremamente protetor consegue criar situações hilariantes.

A música, na sua maioria temas da banda Letters to Cloe, é subtil e ao mesmo tempo animada o suficiente para criar o ambiente cómico pretendido. Assim como o guarda-roupa que capta na perfeição a essência das personagens e da época em questão.

Terminado o filme, percebemos que com ele sentimos todo o tipo de emoções e que este conseguiu ser mais do que apenas mais uma obra romântica. Para além disso, o lado cómico ajuda a tornar o romance agradável e divertido, ao invés de construir uma história de amor aborrecida e melosa. Para aqueles que não são grandes fãs de romance, assim como eu, digo-vos que este é um dos filmes em que podem confiar.