Uma semana antes do natal, duas pessoas improváveis – uma duquesa (Lady Margaret Delacourt) e uma chefe de cozinha (Stacy De Nevo) – trocam de posições e acabam por perceber que aquilo que vivem não as completa. Esta é uma das história em que o Netflix aposta para preencher o nosso natal, contudo, não parece superar expectativas.

The Princess Switch

Digámos que para quem já viu Princess Diaries e The Lizzie McGuire, já para não falar da história antiga do Príncipe do Pobre, esta obra da Netflix pode acabar por se tornar (muito rapidamente) numa mera repetição fracassada, que apenas conquista a atenção do público pela nostalgia que provoca: o sonho de estar em contacto com um outro mundo que não o nosso, a possibilidade milagrosa de o fazer, alguns obstáculos pelo meio e, por fim, um final feliz.

Não obstante, para quem vê este filme pela primeira vez, poderá achá-lo ideal para um domingo à tarde, principalmente quem for amante de comédias românticas. Corresponde a um filme que se vê de ânimo leve, podendo resultar em pequenos esboços de sorrisos e na libertação de lágrimas ocasionais. Apesar de tentar transmitir um conjunto de ensinamentos – a necessidade de libertação de uma vida exageradamente regrada, equilibrando-a com alguns momentos de pura espontaneidade; o verdadeiro significado do natal; e a mítica premissa de que o amor vence tudo – fá-lo sem se tornar exaustivo.

Para além disso, conta com uma linguagem quotidiana e, sendo assim, é facilmente entendido por todos. Tem a seu favor ainda com a participação de atores reconhecidos pelo público em geral como: Vanessa Hudgens, conhecida pelo seu papel em High School Musical; Nick Sagar, familiar graças aos seus papéis em III Manors e ShadowHunters e Sam Palladio, ator reconhecido pelo seu papel na série Nashville. Este elenco de excelência permite a atribuição de uma maior notoriedade e curiosidade relativamente ao filme e, graças a estes atores que retratarem personagens típicas da sociedade, conseguem levar o público a identificar-se com as diversas situações apresentadas, conquistando a sua atenção do início ao fim.

The Princess Switch

Vanessa Hudgens interpreta as duas personagens principais, Lady Margaret Delacourt – uma jovem adulta que nunca viveu na plenitude por se ver constrangida por um conjunto de normas – e Stacy De Nevo – uma jovem adulta que luta diariamente, com o coração recentemente partido, para conseguir ter uma vida melhor. Kevin Richards (Nick Sagar) e Prince Edward (Sam Palladio) correspondem aos príncipes vindos em cavalos brancos da era moderna, o homem perfeito que sabe cozinhar, arrumar a casa e lidar com crianças, e o elemento da realeza que procura usar o seu poder para melhorar o mundo.

Para completar o esteriótipo de homem perfeito, podemos contar com a voz de Sam Palladio, por 10 minutos seguidos nos créditos, deliciando os ouvidos do público com uma música da sua autoria Bring the Snow. Apesar de apenas surgir nos créditos, aparenta ser a última mensagem de esperança que a personagem, Prince Edward, pretende transmitir ao amor da sua vida – “just me and you at home, underneath the mistletoe”.

Tendo em conta que a mesma atriz representa diferentes personagens, existe a necessidade de utilização de duplos, principalmente quando as mesmas surgem em simultâneo. Podemos dizer que esse trabalho passa com excelência aos olhos da grande maioria. Contudo, se prestarmos verdadeira atenção, existem momentos em que conseguimos perceber claramente a troca.

The Princess Switch

A Netflix aproveita este filme para publicitar outro dos seus romances natalícios – A Christmas Prince – de uma forma bastante direta e de um modo infeliz, dando spoilers. Aquando da escolha de um filme para verem, a decisão das personagens parece irrefutável e, de repente, surge em grande plano a cena de um beijo apaixonado retirado do filme anteriormente referido. Além disso, promove a nova temporada da série The Great British Baking Show, uma vez que o mote de toda a história do filme é envolto na participação num concurso de culinária com condições semelhantes.

Não correspondendo ao melhor filme de todos os tempos, poderá ser posto de lado por todos aqueles que procuram no cinema algo mais do que umas horas de entretenimento e de mensagens clichés. Contudo, para quem procura um refúgio do stress mundano, este poderá ser uma boa escolha para um domingo à tarde.