A blackbox do gnration deixou-se envolver nas imersivas melodias de James Holden e The Animal Spirits, num concerto a meia-luz e de poucas palavras.

Composta por Tom Page (Rocketnumbernine), Etienne Jaumet (Zombie Zombie), Marcus Hamblett, Liza Bec e Lascen Gordon, a live band de James Holden apresentou, na última quinta-feira, o seu mais recente disco, “The Animal Spirits” –  também atribuído à banda – no gnration.

As luzes, escassas e de tons quentes, serviram de atmosfera para um ambiente onde as fantasias do jazz etíope se fizeram sentir. O palco, decorado por um arranjo de flores e várias fitas vermelhas, douradas e laranjas, aliava-se inevitavelmente à aura das lendas marroquinas em que Holden se inspira.

“The Neverending”, “Each Moment Like The First” e “Thunder Moon Gathering” foram alguns dos temas partilhados na hora e meia de concerto que conduziu o antigo quartel da GNR, agora um espaço cultural, a uma fantasia de mistério e conforto.

Poucas palavras foram precisas na blackbox, onde toda a plateia se uniu na mesma vibração. Imersas num trance inegavelmente característico (de inspiração gnawa), não houve quem não se rendesse à utópica combinação de todos os instrumentos que, em harmonia, justificaram todas as críticas positivas ao surpreendente trabalho de James Holden.

No final, Holden agradeceu ao público. Depois de se despedirem, os aplausos continuaram, pelo que decidiram conceder mais uma música à blackbox. O concerto terminou, então, em beleza com o tema final “Renata”, o único ao qual foi feita uma introdução.