Jovens políticos reuniram-se para debater a medida prevista no Orçamento de Estado de 2019. As opiniões divergiram entre as diferentes fações políticas.

O Núcleo de Estudantes de Ciência Política organizou, esta quarta-feira, um debate onde se discutiu a redução do valor das propinas pretendida para o próximo ano letivo. Na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho estiveram presentes jovens ligados a partidos políticos portugueses.

O Orçamento de Estado de 2019 prevê uma redução do teto máximo das propinas de 1068€ para 856€. Nelson Felgueiras, representante da Juventude Socialista (JS), fala de “um momento absolutamente histórico”, com uma descida que ronda os 200€.

Luís Monteiro, representante do Bloco de Esquerda (BE), realçou que a proposta partiu de negociações entre o BE e o Governo. O jovem bloquista afirmou ainda que esta não era a descida pretendida porque o que realmente ambicionam é “acabar com as propinas”.

Do lado da Juventude Social-Democrata (JSD), Jorge Barbosa considera que o “flagelo do preço da habitação” é “mais grave e constitui um obstáculo para os estudantes que querem ingressar no ensino superior”. O membro da JSD acredita que “quanto menor for a contribuição dos estudantes que podem realmente pagar o ensino superior”, mais este “baixará a sua qualidade”.

Ricardo Brites, da Juventude Comunista Portuguesa, referiu que as propinas são o primeiro entrave dos estudantes quando ingressam na universidade, contrariamente, ao que considera Jorge Barbosa, que afirma que esta não é um impedimento. Para o jovem comunista, outro aspeto “fundamental” e de certa forma “preocupante” é a estrutura de financiamento do ensino superior.

O secretário-nacional da JS afirmou que este “é um tema pertinente (…) na construção do nosso modelo de sociedade e daquilo que entendemos que devem ser as funções do Estado”. Segundo Nelson Felgueiras, a JS é, desde o início, contra a criação das propinas e defende a existência de propinas zero. Já Francisco Mota, vice-presidente da Juventude Popular Nacional, defende que esta medida é “puramente eleitoralista”.

O evento contou com intervenções do público, nomeadamente do presidente da Associação Académica da Universidade do Minho. Nuno Reis ficou “surpreendido” com a proposta da diminuição o valor das propinas, depois de ter apelado várias vezes para que tal fosse feito.

Beatriz Nunes Meireles e Margarida Silva