Dois anos após o lançamento do álbum de sucesso The Day Is My Enemy, a frenética pujança de The Prodigy está de volta com No Tourists. Embora estejam consagradas características que se mantêm fieis ao registo vibrante e inconfundível do trio, o novo álbum deixa muito a desejar devido à aposta em misturar padrões de eletrónica comercial com techno.

O sétimo álbum de estúdio da banda chega-nos aos ouvidos um pouco antes do lançamento oficial. A cortina é ligeiramente levantada ao revelar-se ao público a primeira faixa do álbum, “Need Some1”. Neste seguimento são também exibidas, posteriormente, “Light Up The Sky”, “We Live Forever”, e “Fight Fire With Fire”.

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Esclarecendo o objetivo fulcral deste novo projeto, The Prodigy despem o nome do álbum e explicam-no com recurso a uma analogia. No Tourists representa o desejo de escapar e explorar caminhos não definidos livremente. Contrariamente aos turistas, há aqui uma vontade de evasão da multidão. É a partir deste conceito que se justifica a variedade de sons que se encontram presentes neste álbum, tornando-se uma tarefa árdua descrevê-lo.

Para além deste caráter inovador na discografia de The Prodigy, este projeto também conta com a participação do grupo de hip hop Ho99o9 e do artista Barns Courtney. De registos musicais bastante distintos entre si, ambos os convidados conseguiram criar um ótimo efeito surpresa nas suas performances com a banda. É possível assistir-se a uma dinâmica bem conseguida entre estilos que, no final, compilam em explosões rítmicas totalmente energéticas.

No Tourists tem 10 faixas com capacidade de, como The Prodigy nos habituaram desde sempre, fazer estremecer o chão. A primeira faixa de destaque é “Need Some1”. Marcada pela repetição constante da frase “I need someone” ao som de uma batida e ritmo mantidos sempre no mesmo registo, a música cai na monotonia. Os primeiros minutos são recebidos com grande furor, mas à medida que se vai ouvindo, a sensação gerada é enfastiante.

“Fight Fire With Fire” e “Champions Of London” surpreendem positivamente, tornando-as as melhores músicas do álbum. Na primeira assiste-se a um autêntico ataque sónico proporcionado pela agressividade de Ho99o9 e versatilidade musical de The Prodigy. Ambos explosivos, os grupos conseguem criar dinâmicas entre si de forma a fazer da canção um produto final bem conseguido e empolgante. A segunda ganha relevo pela introdução do som da bateria e da guitarra. Embora pareça irrelevante, ganha uma sonoridade diferente, sendo possível ver a capacidade da banda de fazer um jogo de sons.

O projeto também consegue trazer ao de cima algum sentimento de nostalgia. Em “We Live Forever” e “Light Up The Sky” estão presentes melodias que nos são familiares de outros álbuns, como é o caso do álbum “The Fat Of The Land”. Apesar de transmitir a sensação de mais do mesmo, The Prodigy não precisam de se reinventar porque ouvi-los é sempre uma experiência vibrante.

Em contraste, “Boom Boom Tap” e “Timebomb Zone” encabeçam o lado mais ruidoso e menos apelativo do projeto. As duas canções arrastam consigo uma produção medíocre e enfadonha que, notoriamente, não apresenta um trabalho pensado. “Boom Boom Tap” consegue suscitar a vontade de ser passada à frente mal a música inicia: “Boom boom tap, boom boom tap, tick tick bang, tick tick bang”.

O mesmo acontece com “Timebomb Zone” que, estando completamente fundida com sons de pura eletrónica comercial, deixa completamente de parte a influência da própria banda. A voz arranjada e estridente com que nos deparamos ao longo da faixa a pronunciar “Timebomb, the game goes on, time is running out, yeah, it’s almost gone” dificilmente nos faz imaginar esta música a ser levada a palco para ser tocada ao vivo.

Em considerações finais, No Tourists deixa a sua marca na discografia de The Prodigy por se distanciar consideravelmente daquilo a que a banda nos habituou. No entanto, mesmo revelando-se uma experiência agridoce, a energia que nos passa nunca deixa de ser contagiante e viciante. E isso, de facto, é um prodígio.