Uma história genuína que desperta emoções e mostra autenticidade. Gilbert Grape foca-se na relação entre um jovem de 17 anos com autismo, Arnie, e o seu irmão mais velho, Gilbert. Ambos vivem com as duas irmãs, Ellen e Amy, e a mãe, Bonnie, que não consegue viver uma vida normal por sofrer de obesidade mórbida. A história também ronda em volta do grave problema da mãe.

gilbert grape

A ligação existente entre os dois irmãos parece ser muito verdadeira. Ambos os atores demonstram interpretações incríveis das suas personagens e conseguem transmitir o laço que existe entre Arnie e Gilbert. Apesar de a sua relação ter altos e baixos, nunca param de se amar e de conseguir ultrapassar todos os problemas.

Algo que me deixou incrédula é o facto do Leonardo DiCaprio, com apenas 19 anos, conseguir representar uma personagem tão desafiante de forma tão verdadeira; dado que fazer de conta que se tem qualquer tipo de doença, principalmente mental, é sempre uma tarefa difícil e complexa.

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Becky é uma das personagens que cria uma maior relação com Gilbert. É uma mulher jovem, simples, aventureira e independente. Acaba por ser o grande apoio de Gilbert: ajuda-o a baixar a sua guarda e a sentir-se mais à vontade em revelar acontecimentos da sua vida. Além de se preocupar com Gilbert, preocupa-se com a família dele; Arnie e Becky mostram ter uma relação de proximidade, dado que Becky o faz sentir à vontade e o apoia nos piores momentos.

O filme consegue que o público se sinta mais consciente do que algumas famílias passam ao terem de cuidar de alguém diariamente. Apesar de Arnie ser autista, cuidar da mãe obesa é também um fator desafiante da restante família. Gilbert Grape cumpre o seu propósito maior ao elucidar as dificuldades que estas personagens têm de passar e os constrangimentos com que lidam no seu dia-a-dia.

Durante a longa-metragem vamos assistindo a cenas emocionantes, principalmente as últimas cenas do filme, onde o clímax acontece. Conseguimos conectar com as personagens e sentir compaixão por elas, o que se deve ao excelente papel do elenco.

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Apesar de a mãe passar os seus dias fechada em casa, numas das cenas, Bonnie sente-se obrigada a sair para a rua. Quando isso acontece, vê-se toda a gente da cidade a olhar para ela como se fosse uma criatura. É quase como se a sua existência fosse uma lenda em que se ouvia falar, mas nunca se tinha visto. Esta cena em si mexe muito com as emoções e provoca alguma revolta, devido à maneira como as pessoas lidam com a situação.

Toda a história atrai. Não tive a necessidade de, enquanto espectadora, passar partes à frente ou parar o filme a meio por estar farta dele. É realmente um trabalho cinematográfico genuíno e simplista. As cenas são bem gravadas e a sequência é constante. Tudo o que se passa em ecrã é de alguma forma importante para o desenvolver da narrativa e está repleto de sinceridade.

Recomendo totalmente a visualização deste filme. Traz emoções ao de cima e mostra-nos um lado muito genuíno daquilo que pode ser realidade de alguém. Considero que podemos mudar muito o modo como vemos pessoas que sofrem mentalmente e fisicamente. Como a maioria de nós não lida com estas situações, vê-las a partir deste filme, abre os olhos para a realidade e para os problemas com que muitas pessoas têm de lidar.