Merry Christmas, o quarto álbum de Mariah Carey, lançado em 1994, conta com as emblemáticas canções de Natal que perduram como escolha número um nas rádios, nos centros comerciais, e em todas as casas na época natalícia. Composto por 11 faixas, o projeto contém versões de canções populares de Natal e material original da artista.

“Silent Night”, composta originalmente em 1818 por Franz Xaver Gruber e Joseph Mohr, ganha uma nova vida neste álbum, com um trabalho de excelência a nível de harmonias. Com coro como voz de fundo, Mariah Carey está em destaque constante nesta faixa que, com algumas notas agudas caraterísticas da cantora, permitem a criação de uma composição musical envolvente, em que cada variação de nota parece provocar uma reação distinta no nosso corpo.

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De forma semelhante, a versão de “O Holy Night”, criada em 1847 por Adolphe Adam, recorre a vocalistas de suporte e realça a presença de um piano, fazendo uma introdução a solo do mesmo. Esta técnica combinada com uma entrada forte de percussão, pretende criar uma progressão crescente, antecedente ao surgimento da voz de Carey.

“Joy to the World” proclama as palavras de Isaac Watts, baseadas no Salmo 98, 96 e Gênesis 3, de uma forma completamente inovadora. Aos 55 segundos, é introduzida uma batida de dança típica dos anos 90, tornando a faixa ainda mais alegre e chamativa do que já era. Esta opção foi bastante arriscada por se tratar de um assunto tipicamente sensível.

O álbum possui um conjunto de canções como “Hark! The Heralds Angels Sing/Gloria (In Excelsis Deo)”, “Jesus Oh What A Wonderful Child” e “God Rest Ye Merry, Gentlemen”, que não fogem da norma das anteriores.

Com “Christmas (Baby Please Come Home)”, Carey faz juz ao trabalho de Darlene Love, sendo que uma das únicas diferenças evidentes é a qualidade de gravação. Para além disso, enquanto que as faixas anteriores refletem a religião, a artista introduz uma nova temática ao álbum ao mencionar o amor e as saudades de alguém amado, “But it’s not like Christmas at all, ‘Cause I remember when you were here, and all the fun we had last year”.

Por fim, temos temas originais da artista, como “All I Want For Christmas Is You” e “Miss You Most (At Christmas Time)”, que retomam a temática de que o Natal não pode ser completo sem a presença de quem mais amamos, facto antecipado pela atribuição dos nomes das faixas. Por mais estranho que pareça, estas duas faixas surgem totalmente deslocadas da realidade do álbum, uma vez que abordam unicamente tradições pagãs do Natal, em oposição às tradições religiosas. Podemos justificar a escolha de falar de árvores, de meias, e do Pai Natal e das suas renas mágicas visto que estas faixas são mais direcionadas para as crianças. Ou talvez porque Mariah Carey tenta abordar todas as diferentes crenças natalícias.

All I Want For Christmas Is You” corresponde a uma das canções mais conhecidas da artista, reconhecida em qualquer parte do mundo. Contudo, esse facto não faz com que seja a sua melhor música natalícia, longe disso. Apresenta aproximadamente quatro minutos de duração, onde a repetição e a monotonia conseguem sobrepôr o ritmo animado, sendo aborrecido ouvir a canção mais do que duas vezes seguidas. Para além disso, a sua letra não é propriamente rica.

Com algumas questões por responder, é irrefutável que este álbum foi e continua a ser um dos mais adorados pela população em geral, em época de Natal. Por isso, não vale a pena quebrar a tradição e deve-se aproveitar a época natalícia aos sons destes clássicos.